Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 29/12/2020
Na Roma Antiga, plebeus e patrícios tinham o direito de sacrificar os filhos possuidores de alguma deficiência. É tácito que a forma com que a sociedade lida com a população deficiente alterou-se com o passar dos séculos, porém, perpetua-se uma visão que os limita: a visão capacitista. Nesse contexto, torna-se pauta desafiadora combatê-la, sobretudo no Brasil, onde a exclusão se inicia no processo educacional e perdura com a falta de acessibilidade negligenciada pelo Estado e pela população.
Primordialmente, as bases que consolidam o preconceito ao deficiente físico estão atreladas ao sistema de ensino oferecido pelo Estado Brasileiro, que é exclusivo e não integrativo. Para o educador Edgar Morin, a educação de qualidade é transdisciplinar, dinâmica e integrada. Consoante ao sociólogo, a integração possibilita que o indivíduo conheça o lugar e as pessoas onde habita. O que se observa, contudo, na realidade dos deficientes, são escolas especializadas em suas deficiências e não escolas comuns que se adaptaram as suas necessidades. Nesse cenário, a falta de convivência entre pessoas diferentes faz com que se crie uma hierarquização equivocada, a qual a deficiência é tratada como sinônimo de inferioridade e incapacidade.
Em um segunda análise, a escassez de acessibilidade encontrada na vida em sociedade corrobora para maiores dificuldades na realização das atividades cotidianas desses indivíduos. Com efeito, o que não é possível ser realizado por negligência do Estado e da sociedade, torna-se responsabilidade do indivíduo que foi limitado não por sua deficiência mas pela falta de inclusão. A exemplo, a não obrigatoriedade de rampas de acesso em todos os estabelecimentos regulamentados faz com que o dependente de cadeiras de rodas, dependa também da ajuda de outras pessoas; a não inclusão do estudo de Libras na Grade Nacional Curricular, dificulta a comunicação do surdo em sociedade.
Em vista dos fatos elencados, o capacitismo em questão no Brasil é um preconceito fruto da limitação imposta aos deficientes e não de sua realidade. É fundamental, portanto, que o Ministério da Educação aja na especialização de profissionais aptos para auxiliar na inserção de deficientes no ensino comum, e não a um especializado. Assim, o Ensino Brasileiro se adaptará para abranger toda sociedade, integrando-a, e não separando-a, o que mudará gradualmente o padrão discriminatório de pensamento. Além disso, o Estado, na condição de garantidor dos direitos individuais, deve oferecer verbas governamentais que possibilitem por meio de obras públicas e serviços de acesso a maior acessibilidade as variadas deficiências físicas. Dessa forma, será possível demonstrar que todos os indivíduos são capazes de exercer as inúmeras funções em sociedade.