Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil

Enviada em 30/12/2020

Em Esparta, cidade guerrilheira da Grécia Antiga, tinha-se o costume de sacrificar as pessoas que nasciam com deficiência física, pois achavam que essas não seriam capazes de praticar as necessidades do cotidiano. De maneira análoga, o pensamento preconceituoso contra as pessoas com deficiência, o capacitismo, ainda persiste na sociedade brasileira. Sob essa ótica, a inoperância estatal, bem como a ineficácia da discussão no setor escolar, são fatores preponderantes para o desequilíbrio social

A princípio, é primordial ressaltar a falta de políticas públicas e investimento do governo em garantir a acessibilidade. De acordo com a Constituição brasileira de 1988, documento jurídico mais importante do país, a inclusão é uma garantia a todos os cidadãos. Entretanto, essa prerrogativa não tem tido ênfase na prática, tendo em vista a infraestrutura das cidades, com falta de ônibus com rampas, pisos táteis nas calçadas e sinais sonoros, esses são apenas alguns reflexos da inoperância do Estado. Por conseguinte, as pessoas com deficiência ficam retraídas socialmente, se acham menosprezadas, o que prejudica ainda mais a integração.

Ademais, convém relacionar que a escola tem um papel fundamental na conscientização das pessoas, porém, o discurso do capacitismo não é muito abordado, mesmo sendo recorrente no tecido social. Consoante o filme “Extraordinário”, o protagonista luta com a discriminação por ter o rosto deformado, e é na sala de aula que ele encontra alguns amigos que o ajudam. Dessa forma, é necessário que haja debates para uma mudança na visão padronizada dos indivíduos, a fim de tratar todos de uma forma igualitária, independente das suas diferenças.

Fica claro, portanto, que medidas precisam ser tomadas para que a Carta Magna seja efetivamente cumprida. Em vista disso, cabe ao governo, como instância máxima de administração executiva, investir em políticas públicas voltadas para a infraestrutura das cidades, por meio de leis orçamentárias que destinam verbas para os investimentos de acessibilidade. Por fim, faz-se necessário que o Ministério da Educação insira nas escolas debates, palestras e atividades em grupos, para que as diferenças e individualidades sejam respeitadas e os discentes aprendam a conviver de forma harmônica, sem desprezar a capacidade do outro. Assim, a geração futura não terá os mesmos problemas que a atual.