Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil

Enviada em 29/12/2020

O brilhante astro-físico Stephen Hawking, pioneiro na teorização do buraco negro, elucida com seu grandioso trabalho a importância de pessoas portadoras de necessidades especiais para o desenvolvimento científico global. Entretanto, apesar de casos como os do acadêmico não serem incomuns, os deficientes prevalecem sofrendo segregações no prisma tupiniquim. Nesse sentido, seja pelo preconceito cultural intríseco à sociedade ou pela retratação midiática errônea, o combate a intolerância capacitiva carece de cuidados e, por isso, requer maiores atenções governamentais.

Previamente, é relevante salientar as raízes do capacitismo contemporâneo. À medida que um cidadão nascia, na Grécia Antiga - berço da civilização ocidental -, caso apresentasse algum desvio , era imediatamente sacrificado em prol da harmonia populacional. Após anos de avanços legislativos, contudo, a inferiorização dos portadores de deficiência não parece ter-se restringido ao passado: Silenciamento em debates e exclusão de grupos de socialização são exemplos da intolerância sofrida por essa minoria hodiernamente. Segundo o sociólogo Sérgio Buarque, em seu mito “O homem cordial”, faz parte da prática brasileira esconder seus estigmas, tendo como resultado a manutenção de preconceitos. Desse modo, alterar a mentalidade social é essencial.

Ademais, a encenação audiovisual da realidade deficiente contribui para a perpetuação de conceitos equivocados. Conforme o portador de necessidades é interpretado como sinônimo de fragilidade e impotência, a crença civil na divergência de potencialidades torna-se acentuada. Dessa forma, o indíviduo especial é afastado de vivências comuns - como relacionamentos afetivos e acesso ao mercado de trabalho - não por sua impossibilidade, mas por preceitos disseminados incoerentemente. Prova disso é o relatório da fundação Ruderman Family Foundation, que aponta a deficiência “quase sempre é retratada como um estado deprimente e limitador” pelos veículos entretenimentos.  Logo, conscientizar a mídia de seu papel social é primordial para modificar esse estigma.

Portanto, ações são cruciais para amenizar a segregação dos diferentes na realidade brasiliense. Nesse viés, a criação de propagandas que ofertem informações aos cidadãos sobre comportamentos preconceituosos, por meio de parcerias publico-privadas entre o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações e empresas midiáticas, é mister no intuito de romper com a intolerância. Para isso, deficientes deverão ser entrevistados para o recolhimento das principais queixas. Outrossim, a criação de uma cartilha para representação audiovisual de portadores de necessidades, por intermédio do Superministério da Cidadania, é fundamental a fim de o entretenimento nacional não seja veículo de estigmas. Assim, o respeito vivido por Hawkng será distribuído entre outros cidadãos.