Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil

Enviada em 30/12/2020

Em Esparta, proeminente pólis da Grécia Antiga, os bebês e as pessoas que adquiriram alguma deficiência eram lançados ao mar ou em precipícios. No século XXI, embora existam as Olimpíadas Paralímpicas e leis que protegem os deficientes, o preconceito ainda existe, de forma explícita ou implícita, o que é chamado de capacitismo. Nesse sentido, entre os desafios para combater essa problemática destacam-se a corponormatividade e os estereótipos capacitistas.

Em uma primeira visão, é vital pontuar que o capacitismo parte da ideia de que existe um padrão corporal perfeito, logo, as pessoas que se adequam a esse modelo são consideradas “normais”, enquanto aqueles indivíduos com deficiência, que fogem dessa imposição, são vistos como “anormais”. Esse pensamento discriminatório é herdado da Antiguidade Clássica, na qual os cidadãos eram tidos como produtivos se tivessem corpo forte, musculoso, com todos os membros, que ouve, vê e fala bem. A sociedade, então, por tender a incorporar as estruturas de uma determinada época, naturalizou esse pensamento e passou a reproduzir a ideia do preconceito que, lamentavelmente, persiste até os dias atuais contra os deficientes.

Além disso, é fulcral salientar que os estereótipos capacitistas são obstáculos que, no cenário brasileiro atual, impedem essa minoria de gozar da igualdade, visto que esses rótulos preconcebidos são extremamente prejudiciais, pois contribuem para a manutenção do preconceito e da exclusão dessas pessoas. Nessa perspectiva, esses cidadãos portadores de alguma deficiência são, frequentemente, taxados como doentes, preconceito esse que levou a assassinatos em massa e à esterilização dessas pessoas durante o Regime Nazista. Dessa forma, essas visões colaboram para que os PCDs não tenham lugar na sociedade ou, se quiserem ter, precisarão fazer esforços sobrehumanos para lidarem com a falta de acessibilidade e com a discriminação.

Portanto, o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos deve criar uma campanha de informação que evidenciará o que é o capacitismo e com relatos de pessoas que já sofreram com essa hostilidade, para, assim, aumentar as oportunidades e visibilidades a esse grupo. Tal ação deve ser veiculada por meio das mídias sociais, como Instagram, Twitter e redes de televisão abertas, a fim de que, a curto prazo, haja, no Brasil hodierno, uma sociedade mais plural e que respeite as diferenças.