Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil

Enviada em 30/12/2020

Na antiga Esparta, os bebês nascidos com deficiência eram considerados defeituosos e assassinados imediatamente. Hodiernamente, apesar de não ocorrerem mais essas violências absurdas, tais pessoas ainda enfrentam muitas e igualmente injustas dificuldades perante o mundo. Nesse contexto, a luta contra o capacitismo possui inúmeros desafios, como a negligência governamental e a mentalidade discriminatória da sociedade.

Em primeiro plano, vale ressaltar a ineficiência do Estado em promover acessibilidade e respeito às pessoas com deficiência. Nesse viés, é nítida a ausência de iniciativas e obras a favor de oportunidades justas e iguais para esses indivíduos. Assim, o governo age como uma “Instituição Zumbi” - conceito de Zygmunt Bauman - pois demonstra ociosidade e inutilidade perante sua função de garantir os direitos da população. Desse modo, ao não fornecer adequadamente auxílio a tais cidadãos, os órgãos públicos falham em assegurar-lhes vidas dignas e contribuem com o capacitismo.

Além disso, cabe expor o pensamento excludente da sociedade brasileira, a qual inferioriza e discrimina pessoas com deficiência, no convívio diário. Nesse sentido, no filme “Extraordinário”, Auggie Pullman é sofre bullying na escola devido à sua deformidade facial. Fora da ficção, essa é a injusta realidade de milhões, humilhação e marginalização nos ambientes sociais, em razão de suas diferenças. Dessa forma, depreende-se como o capacitismo é oriundo da intolerâcia às diversidades.

Evidenciam-se, portanto, os entraves constantes enfrentados pelas pessoas com deficiência no Brasil. Logo, a fim de combater esse preconceito, urge que o Estado - instituição responsável pelos direitos do povo - organize campanhas contra o capacitismo e medidas de acessibilidade por meio de investimentos em aulas e palestras sobre o respeito às diferenças e em obras que auxiliem a vida e locomoção de tal parcela da população. Dessa maneira, é possível afastar cada vez mais a sociedade contemporânea de atrocidades da antiga Esparta.