Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 30/12/2020
Promulgada em 1988, a Constituição Federal, documento mor da República do Brasil, garante a todos os cidadãos o direito pleno ao bem-estar independente de renda, raça ou deficiência. Semelhantemente, Thomas Hobbes, filósofo contratualista do século XVIII, detinha o pensameto de que a única função do Estado seria a de oferecer paz entre seus cidadãos e a garantia dos direitos individuais de cada um. Porém, infelizmente, a realidade é diferente, contendo inúmeros desafios para o combate ao capacitismo no Brasil. Essa questão tem como principal causa a falta de educação voltada ao assunto, bem como a homogeneização da cultura presente na sociedade atual.
Em primeiro lugar, é necessário salientar o conceito dado em “Ensaio Acerca do Entendimento Humano”, por John Locke, filósofo britânico, que faz uma analogia entre o ser humano e uma folha em branco. Diante dessa ótica, as experiências adquiridas ao decorrer da vida moldam o indíviduo de forma drástica e única. De forma parecida, de acordo com Immanuel Kant, filósofo sueco, “o indivíduo é aquilo que a educação faz dele”. Assim, é possível entender a educação como fator primordial no desenvolvimento da população, sendo ela capaz de transformar a sociedade e ajudar nos desafios presentes referentes ao estereotipismo existente contra deficientes. Afinal, segundo Sir Arthur Lewis, economista inglês, a educação nunca é uma despesa, mas um investimento com retorno garantido.
Ademais, conforme a obra “Dialética do Esclarecimento” dos filósofos alemães Adorno e Horkheimer, da Escola de Frankfurt, a indústria do século XXI foi moldada de forma a homogeneizar os interesses gerais com objetivo de alienação e controle de massas. Temos como exemplo o conteúdo presente na internet, televisão e meios gerais de comunicação, que mantém um hegemônico padrão de beleza e vida, geralmente clichês e impossíveis de alcançar. Consequentemente, é excluído a minoria deficiente da sociedade, mantendo pensamentos discriminantes na população, atuando como um dos elementos que precisam ser combatidos no Brasil.
Portanto, são necessárias medidas de intervenção para a questão retratada. Urge que o Ministério da Educação, por meio de uma alteração no currículo escolar, adicione aulas nas escolas que vão do ensino fundamental ao médio. Essas aulas devem conter um conteúdo democrático e crítico, que estimule os alunos a perceberem o capacitismo presente na sociedade, alterando a forma de pensar desses indivíduos, com objetivo de tornar a sociedade mais justa e com menos discriminação. Ainda, o Ministério da Cultura deve preparar cartazes e panfletos a serem divulgados online e presencialmente, que contenham pessoas deficientes e textos conscientizadores sobre os desafios enfrentados por elas. Dessa forma, podem ser enfrentados as dificuldades para o combate ao capacitismo no Brasil.