Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 30/12/2020
Na antiga cidade de Esparta, as crianças nascidas com deficiência eram jogadas de um penhasco, pois, de acordo com a mentalidade da época, eram incapazes de exercer atividades futuramente. No contexto atual, mesmo sem registros dessa prática no cenário brasileiro, pessoas portadoras de necessidades no País ainda sofrem com o pensamento capacitista, ocasionado, muitas vezes, pela falta de políticas públicas estatais e pela ignorância por parte da população. Logo, analisar tal entrave é essencial para promover medidas que mudem o quadro atual nacional.
Antes de tudo, é válido destacar como a ausência de atitudes governamentais contribuem para a exclusão de pessoas com deficiência. Isso porque, o que pode ser observado no Brasil é a escassez de meios que facilitem a locomoção dos indivíduos especiais em locais públicos, como rampas e corrimãos, os quais são essenciais para evitar possíveis acidentes. Diante disso, a falta dessas ferramentas acaba impedindo o acesso de deficientes visuais, por exemplo, em locais comuns à sociedade, como shoppings e mercados. Nesse sentido, é notável que essa falha do Estado inviabiliza o contrato social proposto pelo filósofo Thomas Hobbes, em que ele afirma ser obrigação da pátria garantir o bem estar dos cidadãos e, nesse caso, é a acessibilidade aos portadores de deficiência.
Além disso, é relevante mencionar como a ignorância por parte da sociedade fomenta a mentalidade capacitista. Pois, no ambiente escolar, onde deveria havera a quebra de paradigmas, a questão do respeito aos indivíduos especiais ainda é pouco abordada. Dessa forma, a tendência é que um olhar ignorante e preconceituoso seja construído contra esses grupos. Prova disso, é o drama vivido pelo pequeno Austin, no filme “O Extraordinário”, em que o menino é alvo de brincadeiras ofensivas devido a sua aparência física. Nessa perspectiva, é indiscutível que reverter esse panorama de ignorância no meio escolar é crucial para superar essa problemática desde cedo.
Portanto, é evidente que o capacitismo é uma realidade brasileira e, alterar o cenário vigente é fundamental. Para isso, o Estado deve, por meio de verbas federais, investir em políticas que garantam a acessibilidade aos locais públicos, como a implementação de ferramentas que viabilizem a mobilidade não só de deficientes visuais, mas também de portadores de outras necessidades, com o intuito de evitar a exclusão dessas pessoas em estabelecimentos comuns a qualquer cidadão. Ademais, o Ministério da Educação, em associação com as escolas, deve, através de de palestras e debates, discutir sobre a importância de de respeitar indivíduos com deficiência, com o objetivo de desconstruir a visão limitada e evitar as discriminações, como as vividas pelo jovem por Austin. Somente assim, a mentalidade de inaptidão presente na antiga Esparta e na sociedade atual brasileira será superada.