Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil

Enviada em 30/12/2020

A hierarquização de indivíduos com base na sua capacidade funcional e no padrão de beleza acoplado pela sociedade inferioriza corpos com anormalidades em estruturas psíquicas, fisiológicas ou anatômicas. Por conseguinte, designou-se o termo “capacitismo” à discriminação ligada à corponormatividade, em que portadores de deficiências são considerados incompletos ou inferiores. Nessa ótica, é notório que a baixa representatividade dos deficientes nos meios de comunicação e falta de incentivo do governo em garantir sua autonomia amplia o discurso de ódio. Assim, torna-se fundamental a intervenção do poder público para promover o respeito mútuo.

Cabe mencionar, em primeira instância, a restrita indústria da moda que reforça o ideal de beleza estabelecido socialmente ao representar apenas o tipo de corpo magro e dito “normal”. Tal atitude reprime os portadores de deficiências, uma vez que a moda não é inclusiva, tampouco sinônimo de pluralidade. Nessa percepção, houve a criação do “Projeto Moda Inclusiva” na Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, que apresenta maior variedade de peças de roupas aos indivíduos com anomalias genéticas, facilitando o modo de vestir e estendendo as opções de estilos. Desse modo, a sociedade pode mobilizar-se para proporcionar maior acessibilidade e democratização de serviços.

Ademais, é pertinente destacar que o governo também tem papel importante na quebra de paradigmas preconceituosos. Segundo a coordenadora do Laboratório de Inclusão, Mediação simbólica, Desenvolvimento e Aprendizagem da UFRJ, a ausência de políticas públicas que propiciem a emancipação e ofereçam oportunidades de vida aos deficientes promove a discriminação. Por exemplo, é perceptível a preferência, na hora de selecionar funcionários, dos gestores e recrutadores de empresas por indivíduos sem “limitações” devido à visão errônea de incapacidade física e cognitiva dos indivíduos com deficiência. Então, perpetua-se a limitação ao alcance de demasiados direitos públicos e empregos por esse segmento social.

Torna-se evidente, portanto, que o espaço de representatividade de pessoas com deficiência é escasso e urge que o governo organize medidas com a finalidade de motivar maior independência dessa parcela do povo. Nessa lógica, é imperativo que o Ministério Público, em parceria com a mídia nacional — principal veículo formador de opinião —, desenvolva blogs e curtas sobre projetos inclusivos a fim de estimular empresas a trabalharem com corpos plurais. Além disso, o Estado deve incentivar a contratação de deficientes por empresas privadas, por meio de subsídios e parcerias Público-Privadas, com o objetivo de ampliar sua participação no mercado de trabalho. A partir dessas medidas, espera-se amenizar a teoria capacitista e permitir ao grupo maior acesso às oportunidades de vida.