Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 30/12/2020
No filme “Pequenos Grandes Heróis”, produzido pela Netflix, um dos personagens principais é cadeirante e faz parte do time de heróis infantis. A partir disso, o longa-metragem expõe com naturalidade essa característica do menino e enfatiza as inúmeras colaborações dele com a equipe. Não obstante, fora da perspectiva cinematográfica, existem adversidades a serem enfrentadas por pessoas que portam algum tipo de deficiência. Nesse contexto, a busca efetiva pela perfeição estética que é vivenciada e a falta de estrutura do mercado comercial, que insiste em não inserir essa categoria, fomenta o capacitismo no Brasil.
Mormente, é fulcral pontuar que a retirada de pessoas com deficiências físicas ou psicológicas do conceito de “Belo” não é algo atual. Nesse sentido, é possível relacionar essa exclusão com o genocídio da Alemanha Nazista, que ocorreu décadas atrás, uma vez que ao portar algum tipo de deficiência, os indivíduos fugiam do perfil aceito por Adorf Hitler, líder autoritário, tornando obrigatório o encaminhamento desses para às câmaras de gás, locais em que seriam mortos. Consequentemente, a perpetuação desse pensamento que carrega consigo o preconceito, muitas vezes ainda letais, desancadeia num processo de eliminação do total convívio coletivo, elevando o capacitismo. Assim, esse reintera a incapacidade de colaboração numa sociedade por parte dos portadores de algum déficit corporal. Ratifica-se, então, a importância de combater essa problemática.
Em segunda análise, é necessário ressaltar que o capacitismo corrobora a falta de estrutura no mercado de trabalho, posto que, devido à afirmação da incapacidade do deficiente pela sociedade, é visível o fenômeno de exclusão. Destarte, como evidenciado na série “The Good Doctor”, exibida mundialmente, em que o médico Shaun Murphy possui Síndrome de Asperger, um espectro de autismo, esse enfrenta dificuldades para realizar sua profissão. Desse modo, é notável a falha no método capitalista que preza por arrecadação de capital e não por inclusão social. Percebe-se, portanto, que o processo de diversificação da estrutura trabalhista precisa ser aprimorado, visando a ampla participação.
Em suma, é preciso combater a buscar pela perfeição estética, que exclui os deficientes, e com a falta de estrutura do mercado trabalhista, que não possui pluralidade, para a resolução dos impasses citados anteriormente. Dessa maneira, é de responsabilidade do Poder Legislativo, parte do Governo que sanciona leis, elevar consideravelmente a porcentagem obrigatória de cargos destinados à portadores de deficiência. Com isso, por meio da promungação da lei na câmara e no senado, ocorrerá um fenômeno de aceitação popular reduzindo drasticamente o capacitismo no Brasil.