Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil

Enviada em 31/12/2020

Ao longo da Antiguidade Clássica, o assassinato de recém-nascidos que apresentavam qualquer deficiência fez-se comum na cultura espartana, que não os considerava aptos à convivência. Contemporaneamente, a aflição vivenciada nesse período histórico ecoa com precisão nas milhares de vítimas do capacitismo, atividade discriminatória inegável no contexto nacional. Com efeito, o combate à prática em questão mostra-se fundamental para a construção de uma nação ética, embora encontre entraves como a ineficiência estatal e a compactuação da sociedade.

Em primeiro plano, a ineficácia governamental perfaz-se como importante empecilho para a superação do capacitismo no país. Isso ocorre devido ao fisiologismo das agendas do Estado, haja vista a secundarização de pautas não vinculadas aos grupos de poder, como a efetivação da acessibilidade nos espaços públicos, o que dificulta a execução de tarefas cotidianas por pessoas com deficiência e propicia atitudes capacitistas. Nesse sentido, o descaso do Poder Público com tais cidadãos associa-se à reflexão de Simon Schwartzman, em “Bases do Autoritarismo Brasileiro”, o qual afirma que os interesses dos governantes frequentemente existem para satisfazer demandas elitistas, e não para suprir necessidades básicas da população. Dessa forma, desconstruir o patrimonialismo corrupto faz-se crucial para garantir a dignidade dos brasileiros com deficiência.

Ademais, a apatia social alicerça a persistência do capacitismo no Brasil ao permitir a naturalização desse comportamento. Essa percepção encontra origem na falta de conduta crítica acerca da pluralidade, o que viabiliza a reprodução de estereótipos e discursos preconceituosos contra pessoas com deficiência, fato que aprofunda a exclusão dessa parcela populacional. Nessa perspectiva, os filósofos Guattarri e Deleuze, em “Mil Platôs”, apontam que a sociedade impõe normalizações que constroem indivíduos capazes de compactuar com inúmeras opressões. Desse modo, a formação de postura ativa nos habitantes torna-se crucial para o fim das recorrentes humilhações capacitistas.

A displicência estatal e a conivência social, portanto, consubstanciam os desafios para o enfrentamento do capacitismo no território. À vista disso, o Ministério da Educação deve promover políticas públicas de inclusão das pessoas com deficiência nas escolas, por meio da construção de materiais didáticos e dinâmicas pedagógicas que versem sobre a problemática, com a utilização de redes sociais e aparatos tecnológicos para melhor contextualização, a fim de encerrar o ciclo de preconceito contra o grupo citado. Destarte, a partir dessa medida e do reordenamento operacional da máquina pública, o convívio livre de concepções capacitistas será uma realidade empírica para o Brasil.