Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 31/12/2020
Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos. No entanto, na realidade, essa idealização não se mostra concretizada, uma vez que o capacitismo, caracterizado por ser uma atitude preconceituosa, apresenta desafios para ser combatido no Brasil. Esse cenário nefasto decorre tanto do individualismo, quanto da alienação social.
Em primeiro plano, evidencia-se o comporamento individualista como raiz do óbice. Nesse âmbito, Zygmunt Bauman, renomado sociólogo, defendeu que, hoje em dia, vive-se uma modernidade líquida, a qual tem, por uma de suas características, o individualismo, sendo descrito pelo autor como lamentável, comum e assustador. Na prática, tal comportamento se mostra presente, uma vez que, muitas vezes, os brasileiros, pensando apenas em si mesmos, acabam por discriminar as pessoas com deficiência, quando tentam limitar suas capacidades básicas, como estudar e trabalhar, por exemplo. Assim, é essencial superar essa postura.
Ademais, a alienação social se mostra outra propulsora da problemática. Nesse viés, a filósofa alemã Hannah Arendt, em “Banalidade do mal”, refletiu sobre o processo de massificação da sociedade, que forma indivíduos incapazes de realizar julgamentos morais, tornando-se alienados. Na realidade brasilieira, tal conceito se mostra presente, haja vista que a existência do capacistismo demonstra uma falta de questionamentos sobre direitos sociais e morais, pois o agressor, nesses casos, duvida de capacidades básicas que são asseguradas por direitos. Logo, é essencial superar esses paradigmas.
Portanto, para atenuar tais entraves, o Ministério da Educação, responsável por garantir uma boa formação educacional à população, deve criar um programa de combate ao capacitismo, no qual haverá aulas com profissionais competentes que demonstram como pessoas com deficiência são capazes de realizar diversas atividades, assim como pessoas normais. Isso será feito por meio de palestras em escolas, locais municipais e em todos os meios sociais. Tal medida tem por objetivo mostrar o papel importantíssimo que as pessoas deficientes têm e, com isso, combater a alienação social nesse âmbito. Desse modo, a sociedade estará mais proxima daquela idealizada por More.