Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 01/01/2021
O filme “Extraordinário” (2017) retrata a história de um garoto de 10 anos que sofre de uma deformação facial e como isso afeta a sua vida. Ao longo da trama, percebe-se o quão difícil é a situação cotidiana do garoto ao vivenciar agressões verbais, físicas e pressão psicológica cometidas principalmente no ambiente escolar. Fica evidente, então, que a realidade do garoto apresentada no filme é bem parecida com a realidade presente na vida de milhões de brasileiros que possuem alguma deficiência. O capacitismo se deve principalmente por causa da indiferença da população e do conceito equivocado de superação imposto aos deficientes.
Em primeiro lugar, faz-se necessário destacar a atitude discriminadora da população aos indivíduos portadores de deficiência como a principal agravante do problema. Seja na escola, no trabalho ou em locais de lazer, nota-se uma indiferença das pessoas ao redor com as pessoas deficientes. De acordo com uma pesquisa feita pelo Ministério Público do Trabalho em São Paulo, cerca de 69% dos entrevistados portadores de deficiência relataram que já sofreram algum tipo de discriminação no ambiente de trabalho. Dessa forma, fica claro que o problema não se limita a um local específico.
Além disso, o pensamento de superação de vida dos PCD (Pessoas Com Deficiência) - ainda enraizado na sociedade - é mais uma forma de capacitismo, embora mascarado. Segundo uma matéria divulgada no site Estadão, a forma como as pessoas tratam os PCD de “heróis” e exemplos de superação de vida gera uma ideia de que eles não seriam capazes de realizar o feito, o que consequentemente se enquadra como uma forma de hierarquização das pessoas com base na capacidade corporal (ou até mesmo na estética, como relata o filme). Logo, isso configura em mais um exemplo de capacitismo presente na cultura brasileira.
Portanto, é mister que o Estado tome providências para amenizar o quadro atual. A fim de promover
uma relação mais harmônica e igualitária entre os portadores de deficiência e a sociedade, urge que o governo realize eventos de lazer e inclusão social dos PCD - por meio de investimentos - juntamente com o público geral de modo a fortalecer o vínculo com pessoas deficientes, compreendendo melhor suas características e sentimentos. Somente assim, podemos observar uma sociedade mais justa e adequada com as pessoas que a compõem.