Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 02/01/2021
No filme “Intocáveis” é retratada a história de um milionário tetraplégico que tem como acompanhante e cuidador um rapaz aparentemente despreparado, mas que o trata com dignidade, respeitando suas limitações. Entretanto, no Brasil, as pessoas que possuem alguma deficiência são majoritariamente tratadas como incapazes de terem autonomia nas suas vidas, chamado capacitismo, o que leva a exclusão social dessa população e revela, mesmo que inconscientemente, a herança da eugenia no Brasil.
Primeiramente, deve-se notar que o capacitismo fere direitos básicos do ser humano. Nesse sentido, a proposição é reafirmada pela Declaração Universal dos Direitos Humanos, a qual afirma que todos os seres humanos são iguais em dignidade e direitos. Dessa forma, tratar como incapaz alguém que possua alguma forma de deficiência fere diretamente a sua dignidade, pois afirma isso sem considerar os meios existentes para que esse indivíduo possa exercer uma profissão, concluir os estudos, formar família, etc, de modo a ter uma vida similar a das demais pessoas.
Ademais, a aversão e preconceito contra pessoas com deficiência reflete o impacto da eugenia no Brasil. Nesse viés, a eugenia trata de excluir da população pessoas com deficiências, credos específicos, etc. Tal prática foi adotada na Alemanha durante o Holocausto e impactou o mundo todo, sendo o capacitismo um dos seus frutos mais recentes, pois, vale lembrar, que o argumento de que os portadores de deficiência são incapazes era utilizado para que esses fossem dizimados da população.
Dado o exposto, é necessário tomar medidas a fim de devolver a dignidade e combater o preconceito gerado pelo capacitismo. Para isso, cabe ao Ministério da Educação criar um programa de integração de pessoas com deficiência na educação básica para que essas elas possam, desde cedo, participarem das atividades escolares, sendo acompanhadas por um pedagogo especializado, a fim de que toda a comunidade entenda e respeite as limitações desse cidadão e assim compreenda que, apesar disso, ele é tão capaz quanto os demais de viver socialmente.