Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 12/01/2021
No filme “Procurando Nemo”, é retratada a história de Nemo, um peixe palhaço que possui uma deficiência física em uma das nadadeiras. Durante o desenrolar da trama, inúmeros episódios mostram ao espectador a insegurança do pai do protagonista em relação ao seu único filho que, por sua vez, em um ato de revolta, se coloca em uma situação perigosa a fim de provar seu valor e sua capacidade. Fora da ficção, os incontáveis relatos de capacitismo, denunciam um cenário nefasto de discriminação a pessoas com deficiência que pode servir de gatilho para quadros graves de depressão.
Em primeira análise, vê-se que, mesmo com a melhor aceitação ao passar dos anos, deficiências ainda são motivo de muita discriminação na sociedade brasileira. Nessa perspectiva, segundo Michel Foucault, filósofo francês, o poder é um feixe de relações que se distribui de forma assimétrica, ou seja, ao longo do tempo, são criados discursos hegemônicos que se consolidam em meio à sociedade. Dessa forma, mesmo que sejam falsas e ilegítimas, tais microrelações de poder se transformam em convenção e abrem espaço para um preconceito sem sentido e que tem segregado pessoas com deficiência.
Ademais, como consequência da propagação da marginalização de pessoas com defiência, cria-se um ambiente favorável ao desenvolvimento de distúrbios mentais como depressão e ansiedade. Nesse contexto, de acordo com a Organização das Nações Unidas, ONU, o suicídio é responsável por cerca de 800 mil mortes por ano e, somado a esse fato, a Organização Mundial da Saúde, OMS, aponta que a principal causa para uma pessoa tirar a própria vida é a discriminação. Por fim, seria negligência não notar a relação direta entre o capacitismo e o mais pronfundo grau da tristeza humana.
É imperativo, portanto, que medidas sejam tomadas em prol da vida de pessoas com deficiência que, hodiernamente, está a mercê da desconstrução de crenças tóxicas. Sendo assim, o Estado deve ser mais severo e agir conforme a lei, punindo ações discriminatórias e, com o auxílio da mídia, divulgar tais ações para transparecer a ilegitimidade de preconceitos consolidados na comunidade brasileira. Desse modo, espera-se não apenas o fim da marginalização de pessoas com deficiência, como também a recuperação de confiança dessa parcela da população. Somente assim, o corpo social terá um final feliz, tal como o “peixinho alaranjado” mais famoso do cinema.