Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil

Enviada em 05/01/2021

O falecido sociólogo Betinho costumava dizer que o Brasil só consegue evoluir se os princípios como democracia, solidariedade, igualdade e liberdade estiverem enraizados na população. Entretanto, torna-se válido perceber que esse pensamento ainda não foi alcançado, uma vez que há na maioria dos cidadãos preconceitos contra diversos grupos, sendo um deles o de pessoas com deficiência, tal ato advém ,sobretudo, da concepção capacitista contruída socialmente, a qual banaliza essas pessoas e acarreta na não efetividade dos preceitos democráticos da Constituição Federal  e na contínua desvalorização de minorias no país.

Diante desse cenário, pode-se dizer que os ideais iluministas, que alcançaram o território brasileiro no século XVIII, seriam descartados e seus efeitos anulados, pois em um país democrático todos possuem plena igualdade como indivíduo. Nesse sentido, as pessoas com deficiência não contemplam do mesmo direito que os de mais, visto que ainda estão sendo alvo de discriminação social por parte dos reais detentores das garantias da lei, sendo assim, o preconceito é a barreira da legitimidade legal, ao passo que impede alguns grupos de serem tidos como iguais, muitas vezes por concepções errôneas sobre a questão de saúde.

Seguindo essa premissa, pode-se dizer que essa minoria brasileira ainda é  desvalarizada e vista como incapaz de agir e pensar por conta própria, além de não conseguir ingressar na vida acadêmica e profissional, como é o caso de famílias que não permitem a sociabilização de parentes com alguma deficiência - principalmente na infância e adolescência - por medo de bullying e comentários preconceituosos. Nesse viés, é notório que a teoria kantiana acerca do Imperativo Categórico, a qual considera que todos devem ser tratados dignamente e não a partir do valor e benefícios que podem proporcionar a alguém, é desrespeitado.

Portanto, visando à quebra de barreiras preconceituosas, o Ministério da Cidadania, em parceiria com ONG´s e com o auxílio do Ministério dos Direitos Humanos devem implementar medidas que fomentem o pleno exercício democrático dos cidadãos com deficiência, como o reconhecimento igualitário de todos socialmente e no real entendimento das deficiências, que não devem ser tratadas como aberrações, por meio de incentivos e das palestras de conscientização  propagadas pelo Ministério da Saúde nos meios de comunicação e nas instituições de ensino e de serviços, sendo sempre ministradas por especialistas. Somente dessa maneira, será efetivamente visível o ideal sonhado por Betinho.