Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 06/01/2021
O capacitismo é, por definição, a discriminação e preconceito contra pessoas com alguma deficiência física ou intelectual, geralmente motivadas por um pensamento coletivo que considera a ausência de deficiências como a normalidade. Nesse contexto, analisando o Brasil atual, é perceptível que a ausência de medidas públicas que visem a inclusão social, em conjunto a falta de disseminação de informações de qualidade sobre o tema, resultam em uma sociedade ignorante e inóspita aos diversos brasileiros que se encontram nessa condição.
Em primeiro lugar, é importante destacar a padronização corporal como principal entrave no combate ao capacitismo. Nessa perspectiva, a corponormatividade é a concepção irrealista de um corpo físico ideial, sendo este visto como o normal dentro da sociedade capacitista. Seguindo essa lógica, indivíduos que fogem dessa padronização idílica são vítimas passíveis de manifestações preconceituosas, como a invalidação da sua capacidade física, mental ou sensorial de participar de atividades socias e a infantilização compulsória do sujeito deficiente adulto, a qual substima a sua autonomia. Dentro dessa perspectiva, a obra autobiográfica “Feliz Ano Velho”, de Marcelo Paiva, retrata as mudanças na vida do autor após um acidente que o deixou tetraplégico. E, mesmo diante das limitações físicas, Marcelo consegue se adaptar à nova realidade, conquistando parte de sua antiga independência, além de encontrar um novo interesse romântico e seguir publicando seus livros.
Faz-se mister, ainda, salientar a ausência de uma educação informativa como impulsionadora de atitudes ignorantes. Em um país com pelo menos 45 milhões de brasileiros deficientes, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a urgência de combater esse ostracismo social, oriundo da dessinformação, é inegável, sendo baseada, por sua vez, na concepção de Paulo Freire, que afirma que a educação não transforma o mundo, mas sim as pessoas, e estas, consecutivamente, transformam o mundo. Assim, a ausência da propagação do conhecimento e o não acesso à informação de qualidade sobre o tema impossibilitam a aceitação do indivíduo deficiente na sociedade brasileira, sendo este ainda visto como alguém distante da “normalidade”. Nesse sentido, segundo o humanista William Hazlitt, “o preconceito é o filho da ignorância”.
Depreende-se, portanto, a necessidade de ações interventivas com o fito de amenizar o quadro. Para isso, o Ministério da Educação, por meio de palestras e debates em locais públicos, deve promover de forma acessível a educação informativa, com o auxílio de profissionais de várias áreas, especialmente aqueles portadores de alguma deficiência, pois são os verdadeiros capazes de debater sobre o capacitismo na prática e informar maneiras efetivas de incluir e validar essa minoria.