Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 04/01/2021
Em 1939, Adolf Hitler autorizou o extermínio de deficientes, o chamado programa Eutanásia, onde os arianos com deficiência foram considerados indignos de viver e receberam doses letais ou eram levados para câmaras de gás. Não obstante do lapso temporal, o pensamento discriminatório contra as pessoas com limitações físicas ou mentais ainda é realidade. Nessa perspectiva, é premente analisar a influência negativa promovida por obras cinematográficas e a falta de informação como desafios para o combate ao capacitismo.
Em primeira análise, é lícito postular como a representação desses indivíduos de forma depreciativa nos filmes promove o preconceito. De acordo com a Fundação Rudermam Family Foundation dos 280 filmes norte-americanos analisados entre os anos de 2016 e 2018, 140 apresentavam deficientes como incapazes e indesejados. Como consequência disso, a imagem pejorativa dessa parcela populacional é difundida rapidamente, o que leva a adoção da mesma pelos telespectadores brasileiros que são grandes consumidores do cinema americano e, concomitantemente, o capacitismo no cotidiano. Dessa forma, a luta contra a discriminação perpassa na mudança da representação midiática.
Faz-se mister salientar, ainda, como a falta de entendimento populacional mostra-se como um obstáculo. Segundo o professor Paulo Freire, a inclusão e o respeito só ocorrerão se houver o reconhecimento das diferenças. Nesse sentido, é claro que a falta de informação e contato com pessoas deficientes promove o preconceito. Ademais, o precário reconhecimento das dessemelhanças promove diretamente a violação dos direitos constitucionais, afirmados pela Assembleia Brasileira, os quais garantem a todos o direito ao respeito e dignidade, independente de cor, raça, sexo ou condição física. Dessa maneira, a necessidade em ofertar informações garante a inclusão e dignidade desses indivíduos.
Infere-se, portanto, a necessidade de medidas aptas a intervirem contra os desafios do combate ao capacitismo. Logo, urge que o Ministério da Educação, por meio da maior parcela dos tributos, implante a disciplina de ética e cidadania nas escolas de ensino básico, fundamental e médio, como objetivo de desenvolver nos cidadãos brasileiros o pensamento crítico contra as imagens que são passadas nos filmes, de forma a negá-las, e, ainda, permitir a aceitação dos deficientes com tolerância e respeito. Desse modo, será possível eliminar o pensamento discriminatório que se fez presente na Alemanha de Hitler.