Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 04/01/2021
Segundo o britânico Thomas H. Marshall, a plena cidadania só é estabelecida quando os direitos civis, sociais e políticos são assegurados. Entretanto, a realidade brasileira é distinta da proposta pelo sociólogo, o direito básico da dignidade é questionado e situações de deficiências humanas. Dessa forma, é necessário debater sobre os desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil, de modo a pontuar a ignorância populacional e a negligência estatal.
A princípio, é importante ressaltar a falta de conhecimento da sociedade sobre as pessoas deficientes como obstáculo na luta contra o capacitismo brasileiro. Essa ignorância é análoga ao conceito de ‘‘Habitus’’ do frânces Pierre Bouerdieu, o qual retrata que existem conceitos preconceituosos enraizados na cultura das sociedades. Visto isso, por não conhecer a capacidade dos deficientes, os indivíduos impõem suas predefinições intolerantes sobre as pessoas diferentes, julgando-as e impondo limites em suas vidas pessoais e públicas. Logo, são necessários meios de aprendizado no combate ao capacitismo e na garantia da dignidade humana.
Ademais, o descritor do poder público em promover ações de inclusão, descredibiliza o combate ao capacitismo no Brasil. Assim, essa negligência estatal é consoante à cegueira retratada pelo português José Saramago em sua obra ’’ Ensaio sobre a Cegueira “, o qual reflete sobre a preferência da omissão diante dos problemas sociais. Sob tal perspectiva, o Estado opta pela isenção frente ao preconceito da sociedade com os deficientes, esse não promove a inclusão dessas pessoas, seja no esporte, na educação ou na economia. Desse modo, enquanto o Estado for cego, uma sociedade diferente sofrerá com a exclusão social.
Portanto, foram discutidos os desafios sociais e políticos para o combate ao capacitismo no Brasil atual. Por isso, cabe ao Ministério da Educação - órgão responsável pela construção dos indivíduos- a luta contra o capacistismo no Brasil, por meio de propagandas em rede nacional, de modo a destacar as habilidades dos deficientes, e também, mediante a oferta da infraestrutura necessária na inclusão das pessoas deficientes, como jogos paralímpicos, educação especializada e cota dessas em empresas privadas. Essas medidas têm a finalidade de estabelecer um conhecimento sobre os deficientes e cumprir o papel estatal, alcançando, assim, a plena cidadania de Marshall.