Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 03/01/2021
Durante a Antiguidade Clássica, a Grécia se constituiu em pólis e, dentre elas, destacava-se Esparta, potência militar e econômica. Entretanto, quanto ao tratamento dado aos deficientes, era ainda marcada por um intenso preconceito, dado que os bebês que possuíssem quaisquer anomalias eram mortos logo após o nascimento. Atualmente, capacitismo é um termo usado para designar os preconceitos contra deficientes no geral. Esse vocábulo se relaciona tanto à crença de invalidez do indivíduo quanto à ausência de acessibilidade. Nesse contexto, cabe avaliar as raízes históricas e sociais desse preconceito para que sejam encontradas formas de atenuá-lo.
Em primeiro lugar, a discriminação em relação aos portadores de necessidades especiais é fundamentada em questões históricas. Durante os séculos XIX e XX a eugenia foi tida como uma ideia legitimamente científica. Esse conceito se refere a uma purificação da sociedade, similar a uma seleção artificial que favorecesse um ideal de indivíduo perfeito. Assim, fundamentaram-se ideias como o Nazismo na Alemanha, que levou inúmeros deficientes a campos de concentração e, posteriormente, ao extermínio em massa. Essa base pseudocientífica é, hoje, uma das bases para justificar o capacitismo e, apesar de não pregar mais o extermínio, contribui para o isolamento desses indivíduos.
Ademais, é válido ressaltar as razões sociais para o capacitismo. De acordo com Erving Goffman, o estigma social é o molde constituído de forma exterior e atribui padrões comportamentais a certos grupos. Diante disso, é possível notar a generalização quanto às pessoas com deficiência, a partir de uma construção social que define-as como inválidas, incapazes e até mesmo impossibilitadas de realizar atividades cotidianas como trabalhar, estabelecer vínculos e participar politicamente. Dessa maneira, além de uma influência histórica, há uma influência social para a constituição de um imaginário preconceituoso.
Infere-se, portanto, que são necessárias iniciativas a fim de reverter tal cenário. Nesse cenário, é imperiosa a ação das mídias televisivas - principalmente canais como Globo e SBT, que abarcam volumosas audiências - e das redes sociais - como Instagram, Facebook e Tiktok - a partir da produção de pequenas animações que desmistifiquem fundamentos históricos e sociais do capacitismo. Tais vídeos devem ser veiculados em horários de maior frequência de espectadores e contar com o auxílio de professores de filosofia, história e sociologia que construam a base para o conteúdo. Esses esforços terão como finalidade reverter essa conjuntura para que sejá possível superar preconceitos que perduram desde a Antiguidade Grega.