Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil

Enviada em 04/01/2021

O debate sobre o capacitismo e seus estigmas

Num mundo onde o combate ao racismo, machismo e homofobia está em evidência, a luta contra o capacitismo tem pouco espaço. A cultura atual segrega como “normal” e “anormal” pessoas com e sem deficiência, criando certa impressão de hierarquia das pessoas padrão sobre as pessoas fora dele. Todavia, a falta de representatividade nos espaços contribui para a desinformação dos próprios pcd, que por vezes desconhecem seus direitos ante ao desrrespeito e a exclusão.

Por exemplo, em 2016,um grupo de pessoas com deficiência popularizarou uma hashtag a fim de colocar em pauta o capacitismo. A “#écapacitismoquando” abriu espaço para esse debate, chamando atenção para o preconceito velado que essas pessoas sofrem. É evidente que o movimento contribuiu para unir os pcd e informar todo o restante da população a respeito dessas falhas, mas é necessário mover toda a estrutura da sociedade, visto que essa problemática está enraizada na cultura.

Sobretudo, há um apagamento desses cidadãos, que ficam limitados às cotas e histórias de superação, ou seja, o pcd só é visto quando se vai falar sobre deficiência e não sobre assuntos cotidianos ou técnicos. Por analogia, a música “Amarelo”, do rapper Emicida destaca: “Permita que eu fale, não as minhas cicatrizes”, traduzindo em versos o maior desejo das pessoas deficientes: serem ouvidas, não apenas sobre a sua deficiência, mas também sobre assuntos conversados comumente.

Diante do cenário apresentado, o molde atual das estruturas e relações referentes a esse grupo precisam de melhorias. A priori, a educação inclusiva deve acontecer nas escolas comuns, a fim de tornar corriqueiro o contato dos futuros cidadãos com o diferente, por isso, é responsabilidade do Estado garantir que todos os professores da rede pública estejam aptos para lecionar independente das limitações do aluno, tornando o ambiente escolar diverso de verdade. A posteriori, é papel da mídia colocar em destaque pessoas com deficiência, assim como vem fazendo com as outras minorias, com o intuito de tirar da invisibilidade e dar voz a esse grupo, de modo a minimizar ideias equivocadas e facilitar a discussão sobre o combate ao capacistismo na Sociedade Brasileira.