Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 04/01/2021
Um indivíduo em desespero, ao passo que, em seu entorno, personagens mostram-se apáticos a esse sofrimento. É isso o que se observa no quadro “O grito”, do pintor Edvard Munch. Contudo, essa indiferença frente às adversidades alheias não se limita à obra expressionista, já que, no Brasil, as vítimas do capacitismo têm sido negligenciadas por determinados setores da socieade. Nesse prisma, cabe analisar a falta de políticas educativas acerca da inclusão social e a baixa assitência estatal em relação à acessibilidade como fatores que fortalecem essa problemática.
De início, pontua-se que o Poder Público tem se mostrado omisso ao não combater o capacitismo. Isso porque existe uma deficiência no processo de conscientização, uma vez que faltam campanhas educativas que discutam sobre a importância da inclusão de pessoas com deficiência, o que favorece o surgimento de atos e discursos discriminatórios que tendem a limitá-los como incapazes, restringindo, assim, o acesso a espaços e oportunidades no meio social. Vê-se, então, que o Estado não tem assegurado o bem-estar de toda a coletividade, demonstrando um desrespeito aos princípios previstos na Carta Magna de 1988.
Ademais, enfatiza-se que aceitar o capacitismo é banalizar o mal. Porém, parte da sociedade tem apresentado certa resignação diante da baixa assistência governamental, visto que falta investir na ampliação da acessibilidade em espaços públicos, prejudicando, dessa forma, o direito de ir e vir da pessoa com deficiência, bem como a sua independência. Sendo assim, constata-se que a naturalização dessa problemática corrobora os estudos da filósofa Hannah Arendt, posto que, segundo ela, a massificação social tem comprometido a capacidade crítica dos indivíduos, os quais passam a aceitar, de maneira inerte, quadros negativos.
Infere-se, portanto, que o capacitismo deve ser combatido. Logo, é fundamental que o Estado, mediante atuações do Poder Executivo e do Ministério da Cidadania, promova campanhas educativas, sendo estas veiculadas principalmente em mídias sociais, que discutam sobre a importância da inclusão dos deficientes, a fim de conscientizar as pessoas e descontruir discursos discriminatórios que limitam aqueles como incapazes. Além disso, organizações não governamentais devem, por meio de palestras e debates em ambientes comunitários, sensibilizar a população acerca da necessidade de não se manter inerte diante do capacitismo, potencializando, com isso, a mobilização coletiva em prol de uma assistência estatal que direcione verbas à ampliação da acessibilidade em espaços públicos, com o intuito de garantir o direito de ir e vir da pessoa com deficiência. Desse modo, a indiferença frente às adversidades alheias poderia se restringir à obra de Munch.