Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 04/01/2021
As relações estabelecidas na sociedade passaram por profundas transformações sociais e culturais, principalmente, a partir do século XVIII com a primeira revolução industrial. No entanto, pode-se afirmar que visões segregativas e preconceituosas, como o capacitismo - violência praticada contra as pessoas com deficiência - encontram-se vigentes em pleno século XXI. Assim, convém combater a grave prevalência desse problema em questão no Brasil, na esfera do governo federal e da sociedade civil.
Primeiramente, observa-se a inabilidade do Estado na intervenção de práticas que desrespeitem os direitos humanos dos cidadãos que apresentem algum tipo de “deficiência” - termo pejorativo amplamente difundido. Nesse viés, pode-se mencionar o conceito de Hannah Arendt: banalidade do mal, que reside na prática gratuita de ações negativas. Assim, identifica-se a ausência de empatia e a naturalização do mal - a partir da discriminação dos indíviduos - vistos como diferentes dos padrões estabelecidos pela cultura contemporânea. Logo, cabe aos órgãos executivos a adoção de políticas públicas que reduzam essa problemática de não aceitação do outro.
Por conseguinte, torna-se vital a ampliação da responsabilidade de modificação dessa conjuntura para toda a sociedade, uma vez que, as demais instituições sociais, como a família, são imprescindíveis para mitigar o capacitismo. Dessa forma, de acordo com Immanuel Kant deve-se cultivar uma paz pérpetua - termo inserido no tratado da paz e cooperação universal entre Estados. Nessa ótica, objetiva-se a aceitação do outro como sujeito singular com múltiplas facetas em detrimento dos padrões instituídos pela indústria cultural e pela globalização. Dessa maneira, Arendt e Kant dialogam no sentido de construir padrões éticos e morais que, de fato, respeitem os direitos humanos de modo holístico.
Fica clara, portanto, a necessidade de debater acerca do capacitismo. Para isso, o Governo Federal, órgão nacional do poder executivo, deve inserir essa temática nas diretrizes curriculares dos alunos do ensino fundamental e médio. Por meio do estudo semanal de medidas de combater e modificar práticas de preconceitos e de violência para com o outro, nas disciplinas de ciências humanas, no intuito de reverberar tamanho desrespeito social. Ademais, os pais e/ou responsáveis devem construir base ética e transmitir a partir do diálogo e do exemplo aos demais entes envolvidos, e assim, promover a paz e a cultura do bem mencionada por Kant.