Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 04/01/2021
O capacitismo possui relação direta com a eugenia - teoria utilizada na Alemanha nazista- para justificar a eliminação de pessoas com condições congênitas, como: esquizofrenia, bipolaridade, deformidades físicas e toda gama de vivências não consideras normais. Analogamente, a sociedade brasileira não possui boa relação com os indivíduos considerados diferentes, isso ocorre não só por um histórico de naturalização de violências, mas também, por um senso comum cruel e capacitista.
Primeiramente, é importante destacar o Hospital de Barbacena, lugar onde ocorreram violências físicas e psicológicas às pessoas que eram consideradas desajustadas socialmente, muitos morreram por más condições e tratamentos desumanos. Julgar e separar os corpos entre saudáveis e doentes leva à uma naturalização da exclusão social. O hospital de Barbacena funcionou desde 1903 e foi fechado apenas na década de 80, e nesse período, cerca de sessenta mil pessoas morreram.
Além disso, o senso comum de cada época tem a capacidade de julgar quem pode socializar e quem não. No livro, ’’ História da loucura’’ de Foucault, mostra como cada período histórico lidou com as diferenças. Exemplificando, na Idade Média, pessoas esquizofrênicas eram vistas como visionárias e comunicadoras de mensagens de outros mundos; na atualidade, elas são tratadas como incapazes. Com efeito, ser autista se transforma em xingamento, não possuir algum membro ,em piada, e dessa forma, ocorre a desumanização da pessoa com deficiência.
Portanto, uma intervenção faz-se necessária. O Ministério da Saúde em conjunto com a Comissão de Direitos Humanos da OAB, devem se valer da Lei Antimanicomial para aumentar a fiscalização de hospitais psiquiátricos, com a finalidade que os tratamentos que respeitem a saúde mental e física do indivíduo prevaleçam. Além disso, o Ministério da Cultura deve fomentar a produção de filmes e livros com personagens autistas, surdos e deficientes físicos, com uma abordagem de naturalizar essa vivência humana. Dessa forma, menos pessoas terão concepções eugenistas.