Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 04/01/2021
Na obra cinematográfica “A Leoa”, a protagonista, Eva, é uma moça que possui uma rara condição genética que faz com que cresçam muitos pelos por todo o seu corpo - a que se refere o título da obra. Na trama, a jovem vive exclusa da sociedade por vários anos em decorrência da reação das pessoas por sua aparência. De maneira análoga, no Brasil, pessoas que possuem alguma deficiência, física ou não, são, diversas vezes, exclusas do meio social e vítimas de preconceito por suas condições. Isso ocorre ora em função de um sistema educacional deficitário, ora pela ainda ineficiente execução dos direitos civis.
A princípio, o professor Paulo Freire dissertou sobre a pedagogia libertadora, uma alusão à educação crítica a serviço da transformação sociocultural. No entanto, ao perceber que comportamentos preconceituosos e segregadores são recorrentes no ambiente escolar e que, a escola é uma das instituições basilares na formação do indivíduo para viver em sociedade, nota-se um corpo social distante de um posicionamento inclusivo e crítico. Nessa lógica, observa-se, sobretudo, um sistema educacional que não dialoga com as ideias freireanas e, portanto, não consegue formar cidadãos mais críticos quanto ao capacitismo.
Outrossim, a Constituição federal explicita que é dever do Estado proporcionar um ambiente harmônico a todos e em sua totalidade: física, psíquica e social. No entanto, a realidade expõe uma contrariedade. Esse paradoxo expressa-se à medida que pessoas portadoras de alguma deficiência são limitadas, ou até mesmo nulas, de seus direitos civis ao serem, por exemplo, impedidas de frequentar ou chegar a determinado local e ainda, apesar de poderem se fazer presentes no lugar que desejam, são excluídas de atuações no espaço - como em atividades escolares ou filas de supermercados. À vista disso, uma dissonância entre uma narrativa factual e a Carta Maga precisa ser solucionada.
Logo, é fundamental que o Ministério da Educação - órgão responsável pelas políticas nacionais educativas - por meio de amplo debate entre famílias, professores e Estado, introduza espaços de diálogo para combater pensamentos e ações que revelem discriminações e capacitismo. Posto isso, é importante que tal ação foque nas ideias de Freire. Ademais, é imprescindível que o governo federal fiscalize, oriente e, se necessário, puna os responsáveis por determinado local que não siga as instruções e regras para a acessibilidade de deficientes. Feito isso, o Brasil poderá, gradativamente, vencer os desafios do combate ao capacitismo.