Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 08/01/2021
A partir de 2015, entrou em vigor o estatuto da pessoa com deficiência(PcD) que assegura a esse grupo vários direitos. No entanto, o capacitismo ainda é um problema na sociedade brasileira e um dos grandes desafios para o seu combate é a sua invisibilização. Nesse sentido, percebe-se os principais fatores para a existência desse preconceito são é a pouca representatividade desse segmento da população e a ausência de ações mais significativas na esfera educacional.
Em primeiro lugar, é importante ressaltar a pouca representatividade como um fator para a permanência do preconceito contra PcDs. Segundo a historiadora norte-americana Joan Scott, a importância de ter representantes sociais justifica-se nas necessidades de reconhecimento e manutenção de igualdade, considerando os direitos individuais e identidades grupais. De forma análoga, entende-se que a baixa quantidade de representantes políticos e identitários de pessoas com deficiências no Brasil favorece a falta de reconhecimento,posicionamento e a exclusão continua desse grupo, como é evidenciado pela ativista brasileira Lau Pátron, mãe de uma garoto com paralisia cerebral, em palestras,entrevistas e redes sociais, em que ressalta que a verdadeira empatia e inclusão está em deixar esses indivíduos falarem por si sem inferiorização ou romantização.
Em segundo lugar, é válido postular sobre a ausência de ações mais significativas na esfera educacional. De acordo com filósofo Paulo Freire " Se a educação sozinha não muda a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda". A partir dessa análise, evidencia-se que a educação é a verdadeira propulsora de mundanças sociais, além de ser um direito citado no estatuto anteriomente citado. Entretanto, observa-se que na prática algumas escolas limitam seu projeto inclusivo na matricula de um aluno PcD sem ter reais adaptações físicas e pedagógicas que, além de não contemplar esse aluno, não proporcionam a convivência saudável com a diversidade e a desconstrução de preconceitos dos demais alunos, assim como também relatado pela ativista ,e mãe de PcD, Lau Pátron.
Tendo em vista os fatos mencionados, cabe às ONGs, como a Associação de assistência a criança com deficiência, que representam esse grupo social fazer palestras e eventos culturais, mediante parcerias com escolas públicas e particulares, com a finalidade de criar um espaço de interação,discussão e posicionamento dessa população. Ademais, cabe às secretarias de educação fiscalizar e orientar as escolas sobre a melhor forma de contemplar todas as necessidades dos alunos PcDs e promover a convivência educativa,saudável e democrática com os demais por meio de formações anuais dos profissionais e fiscalizações semestrais com a finalidade de incluir de fato esse individuo e proporcionar a descontrução do capacitismo o que, futuramente, mitigará esse preconceito.