Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 05/01/2021
Capacitismo, no contexto comtemporâneo, é uma forma de discriminação com pessoas deficientes físicas ou mentais, quando essas são consideradas naturalmente “inválidas” ou “incapazes”. Este termo surgiu com a finalidade de expor o comportamento preconceituoso na internet por meio de hashtags, porém, apesar do movimento ter ganhado visibilidade, o capacitismo ainda afeta demasiadamente a população, mesmo que de forma velada. Sobre esse aspecto, convém analisarmos os fatores perpetuantes desse impasse na sociedade brasileira.
Em primeiro plano, é evidente que o capacitismo está enraizado no Brasil desde seus primórdios. Na obra “Memórias Póstumas de Brás Cubas” de Machado de Assis é exposto o preconceito proveniente do século XIX, na qual Brás Cubas descarta a possibilidade de se casar com uma moça pelo fato dela ser “coxa de nascença”. Fora do contexto dos romances realistas, tal comportamento ainda pode ser observado no cenário atual ao analisarmos a discriminação que deficientes sofrem no âmbito amoroso como se o parceiro fosse carregar um “fardo” ao se relacionar com eles, bem como na falta de representatividade em filmes, brinquedos e publicidades, fazendo com que o próprio indivíduo se discrimine por não fazer parte dos padrões. Sendo assim, é impressíndivel romper esses paradigmas deixando de lado o preconceito impregnado na sociedade.
Ademais, pode-se observar a população deficiente se martirizando para “provar” aos demais que é capaz de realizar tarefas básicas e outras atividades sem necessidade de ajuda. Segundo o sociólogo Zygmunt Balman, a falta de solidez nas relações sociais é característica da modernidade líquida do século XX. Tal perspectiva pode ser observada até a contemporaneidade, na qual a maioria da população preza por um padrão de vida e corpos, diminuindo a grande maioria dos indivíduos que não se encaixam nele, a exemplo da falta de inclusão de deficientes físicos e mentais que são marginalizados em transportes, empresas, escolas, áreas de lazer, etc. devido à concepção errônea de que pessoas sem deficiência são o “normal” da sociedade. Logo, faz-se necessária uma intervenção que busque amenizar esse cenário.
Portanto, para combater o capacitismo no Brasil, urge que os governos federais e estaduais ampliem as medidas de inclusão nas escolas e universidades, bem como nos transportes e áreas de lazer públicos, entre outras, por meio da obrigatoriedade desses recursos para o funcionamento das respectivas instituições, fazendo isso com auxílio da opinião de pessoas portadoras de deficiência que presenciam no cotidiano a falta desses recursos. Somente assim, será ampliada a inserção de deficiêntes na sociedade diminuindo, consequentemente, o capacitismo no Brasil.