Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil

Enviada em 06/01/2021

Capacitismo: um mal velado histórico

É indubitável a presença histórica do capacitismo. Isso é observado em Esparta, onde aquele que possuia deficiência física era sacrificado por não poder contribuir com sua nação durante as guerras. Hoje, a situação é mais branda, entretanto o preconceito velado, a violência cometida e exclusão social são verdadeiros desafios a serem vencidos. Dessa forma, é necessário analisar os fatos para que soluções sejam tomadas, visando reduzir ou extinguir qualquer forma de discriminação e violência contra a minoria em questão.

Em primeiro plano, é imperativo pontuar que um dos principais artigos da Constituição Federal de 1988 está sendo ferido e isso é inadimissível. Isso porque o artigo prevê que todos são iguais perante a lei, sendo, portanto, inconcebível qualquer forma de preconceito. Nesse sentido, o que é perceptível na sociedade brasileira é o preconceito velado em shows de comédias e no dia a dia, em que por meio de brincadeiras sutis e exclusão social de pessoas com determinado tipo de deficiência ocorre. Tal fato somente contribui para uma sociedade mais desigual e injusta, que segrega e hierarquiza padrões predeterminados e isso é um desafio a ser vencido.

Ademais, é necessário salientar que para que o capacitismo não ocorra, é necessário que em detrimento de uma maior interação social e inclusão, ações afirmativas não sejam postas em segundo plano. Isso porque não é somente a violência verbal e preconceitos que segregam e excluem. É, também, o quesito oportunidade dada a cada um deficiente que pode mudar paradigmas. Nesse contexto, com mais oportunidades de emprego para aqueles com Síndrome de Down e autismo, por exemplo, a sociedade se torna menos injusta e inclui explicitamente tais necessitados, vencendo o desafio da exclusão de tamanha recorrência na atualidade brasileira. Isso, indubitavelmente, rompe com o conceito de Kant, que afirma que o homem é o lobo do próprio homem, sendo esse mau por natureza e egoísta.

Portanto, infere-se que há inúmeros desafios a serem vencidos para que o capacitismo deixe de existir, entre eles o preconceito velado, a violência explícita e a falta de oportunidades, que somente contribuem para uma sociedade exclusiva. Assim, urge que o Ministério da Saúde difunda por vias midiáticas publicidade para apurar a sensibilidade das pessoas para que não cometam brincadeiras e insultos contra deficientes, visando reduzir o capacitismo. Ademais, cabe ao Estado ampliar o número de cotas para deficientes em empresas, concedendo benefícios fiscais, sendo uma ação afirmativa inclusiva. Assim, o desafio do capacitismo histórico presente desde Esparta pode ser vencido.