Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 06/01/2021
“A essência dos direitos humanos é o direito a ter direitos”. Essa frase, da filósofa Hannah Arendt, aponta para a importância de os direitos serem mantidos na sociedade. No entanto, no que concerne à questão do preconceito, discriminação e exclusão dos portadores de deficiência da sociedade, verifica-se uma lacuna na manutenção dos direitos humanos, o que configura um grave problema. Nesse contexto, percebe-se a necessidade de promover melhorias no que tange à conscientização da sociedade acerca do capacitismo, que persiste sustentado por questões culturais e problemas de infraestrutura.
De início, deve-se pontuar que as questões culturais configuram-se como um grande empecilho para resolução do problema. Conforme Durkheim, o fato social é a maneira coletiva de se pensar. A partir disso, é possível perceber que a questão do capacitismo no Brasil é fortemente influenciada pelo pensamento coletivo, que sustenta uma corponormatividade e um ideal de beleza e capacidade funcional baseado em corpos “perfeitos”, promovendo, cada vez mais, a discriminação e preconceito com portadores de deficiência.
Além disso, cabe ressaltar que a falta de infraestrutura também impede, de maneira significativa, a resolução do problema em questão. A filósofa Hannah Arendt defende que o espaço público seja preservado, para que se assegure a prática da liberdade e manutenção da cidadania. Ou seja, sem uma infraestrutura pública adequada, o cidadão é prejudicado. Esse aspecto está presente de maneira decisiva no que tange ao capacitismo no Brasil, o que acaba por dificultar a sua resolução, uma vez que falta investimento governamental em acessibilidade, que minimizaria a exclusão de portadores de deficiência dos espaços públicos e da vida cotidiana.
Portanto, faz-se necessário que os governos estaduais, em parceria com as prefeituras, passem a focar investimentos em infraestrutura para questões urgentes, como a acessibilidade e apoio ao deficiente. Havendo maior direcionamento de verba, a infraestrutura dos espaços públicos poderia ser melhorada e, consequentemente, a qualidade de vida dos cidadãos, que passarão a usufruir mais intensamente do espaço público, que agora teria as condições adequadas, para realizar suas atividades cotidianas. Além disso, o governo também seria responsável por promover publicamente palestras, debates e oficinas educativas para discussão dos efeitos, causas e padrões do capacitismo no Brasil, a fim de efetivar a elucidação da população sobre o tema. Assim, ressalta-se a relevância de resolver a problemática no momento atual, pois, como defendeu Martin Luther King: “Toda hora é hora de fazer o que é certo".