Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil

Enviada em 06/01/2021

O capacitismo não é um fenômeno somente hodierno, já que esse retrato mostrou-se presente desde a Antiguidade, momento em que as pessoas com deficiência eram excluídas do mercado de trabalho e até poderiam morrer por ter tal condição. Atualmente, no Brasil esse cenário ainda permanece sendo de repulsão desses indivíduos. É notório que um dos desafios de seu combate é a carência de conscientização da sociedade. Ademais, a ausência de espaços urbanos adequados para recebê-los de maneira digna.

Nesse sentido, pode-se afirmar que a falta de consciência de grande parte das pessoas é uma das causas para a permanência do capacitismo.Nessa perspectiva,a BNCC(Base Nacional Comum Curricular) - documento que determina os conteúdos ensinados na escola - não prevê a obrigatoriedade da discussão desse tema nas salas de aula.Não há dúvidas que sem a abordagem desde cedo sobre o tratamento igualitário para com os deficientes e a importância de ofertar as mesmas oportunidades em todas as esferas, como a estudantil e a trabalhista, o preconceito continua. Logo, o pensamento de Thomas Hobbes que a intervenção estatal é necessario como forma de proteção dos individuos não se concretiza, uma vez que o Estado deixa-os à merce da discriminação, sem exercer sua função de instruir a sociedade a não comenter esses atos de violencia com as pessoas debilitadas.

Além disso, é inegável que o Brasil, ocupando a nona posição da economia mundial, seria racional acreditar que possuímos um sistema de inclusão eficiente.Entretanto,essa não é a realidade, diariamente, os indivíduos deficientes sofrem com a falta de infraestrutura, como em banheiros públicos e ônibus, que, em sua maioria, não são preparados para atendê-los de maneira confortável, causando cenas que inviabiliza a sua utilização, provocando o constrangimento e o medo de usufruir do seus direitos de ir e vir.Isso é retratado no programa “Pequenas, Grandes Mulheres” que exibe pessoas com nanismo, popularmente chamados anões,e são ridicularizados quando não conseguem subir no ônibus, abrir a porta, pegar algo na prateleira do supermercado e entre outras situações,mostrando como os espaços estimulam o capacitismo e sua opressão exercida em qualquer deficiente na sociedade.

Fica claro, portanto, que é vital a ação do Ministério da Educação - que tem como função cuidar do sistema educacional - deve incluir uma disciplina que trabalhe a inclusão dos deficientes. Isso pode ocorrer por meio da alteração da BNCC. Dessa forma, conscientizando e instruindo a formação de um tratamento igualitário e inclusivo.Também, o Ministério da Economia deve destinar mais verbas para modificação dos espaços públicos, assim os preparando para atender qualquer demanda e não provocar cenas de constrangimento aos indivíduos.