Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil

Enviada em 11/01/2021

No filme “A Teoria de Tudo”, é retratada a vida e a trajetória do físico Stephen Hawking, portador de uma doença degenerativa denominada Esclerose Lateral Amiotrófica. Na obra, torna-se evidente a dificuldade enfrentada pelo cientista em obter reconhecimento no campo profissional, devido ao preconceito sofrido. Fora das telas, a realidade é semelhante, uma vez que o capacitismo vem sendo, desde a Antiguidade, um problema ser combatido. Com efeito, a ineficiência de ações governamentais e a ignorância populacional impedem que essa problemática seja sanada.

Em primeiro plano, cabe ressaltar a ineficácia de medidas tomadas pelo Governo no combate ao preconceito contra pessoas portadoras de deficiência. Nesse sentido, a existência de aparatos legais, como a Lei 13.146 — que garante condições de igualdade à pessoas com deficiência —, não é suficiente, haja vista que sem programas de inclusão eficientes, grande parcela da população continuará marginalizada e, consequentemente, privada de oportunidades, principalmente, no âmbito profissional. Essa conjuntura, segundo as ideias do filósofo contratualista John Locke, configura-se como uma violação do “contrato social”, já que o Estado não cumpre sua função de garantir a equidade social, o que infelizmente é evidente no país.

Ademais, um dos obstáculos na luta contra o capacitismo, no Brasil, é a desinformação da população sobre tal problemática. Segundo filósofo Voltaire, “preconceito é opinião sem conhecimento”. Diante de tal exposto, a falta de campanhas que possam expor a realidade das deficiências e acabar com crenças falsas acerca da capacidade dos indivíduos portadores de alguma má-formação, corrobora no crescimento da intolerância. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.

Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso, é imprescindível que o Governo Federal, por intermédio da disponibilização de uma verba, crie um programa voltado para inclusão de pessoas com deficiência, em que seja implementada uma porcentagem maior — obrigatória — de funcionários portadores de má formação no mercado de trabalho nacional, como também a criação de campanhas midiáticas conscientizadoras, a fim de que o capacitismo diminua e, em um cenário ideial, acabe. Assim, se consolidará uma sociedade mais igualitária, em que o Estado desempenha corretamente seu “contrato social”, tal como afirma John Locke.