Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 05/01/2021
Em meados do século XX, o artista plástico Cândido Portinari retratou, na obra “Os Retirantes”, uma família que sai de uma região a outra em busca de melhores condições de vida. Semelhante ao cenário evidenciado pelo autor, muitos brasileiros protagonizam, hodiernamente, uma peregrinação em busca do fim do preconceito que atinge pessoas com deficiência (PCDs). As demandas para combater o capacitismo em questão no Brasil, no entanto, são deturpados devido à inobservância governamental e à lenta mudança de mentalidade social.
A princípio, a negligência do Estado é um fator importante quando se observa a deficiência de ações efetivas para o combate ao capacitismo na sociedade. Segundo o pensamento de Nicolau Maquiavel, em seu livro “O Príncipe”, um governante tende a tomar decisões estratégicas que mantenham sua posição de liderança. Tendo isso em vista, é esperado que o investimento dos líderes em leis mais rigorosas e fiscalizações mais firmes para quem pratica o preconceito contra pessoas com deficiência seja negligenciado em detrimento de pautas mais populistas, que garantem mais votos. Assim, a manutenção do poder de muitos gestores no Brasil ocorre às custas da perpetuação de atos discriminatórios contra PCDs.
Ademais, outro ponto determinante na discussão é o fato de que a reprodução discursiva dos preconceitos contra esses indivíduos contribui para a manutenção do problema na coletividade. Nesse sentido, pensamentos como os de que pessoas com deficiência são em incapazes e que determinados corpos são inferiores ou incompletos compõem pejorativamente a representação desses cidadãos na sociedade, que pode ser explicada pelo conceito de “Habitus” do sociólogo francês Pierre Bourdieu. Segundo ele, a repetição das falas em ambientes sociais gera o aumento da discriminação e da não aceitação desses seres. Sendo assim, uma mudança nos valores da sociedade e sua perpetuação é essencial para combater o capacitismo no Brasil.
Em vista desses fatos, é indubitável que medidas são necessárias para resolver o impasse. Primeiramente, cabe ao Governo criar programas de assistência especializada que operem ativamente na luta por direitos de inclusão de pessoas com deficiência, para que todas as pessoas possam se sentir parte de um todo. Paralelamente, cabe às ONGs promoverem a integração da PCD por meio da distribuição de cartilhas informativas que advertam a população sobre os danos que a concepção capacitista pode causar, com objetivo de sensibilizar todos a ajudar nessa causa. Desse modo, será possível que as obras de Portinari não transmitam, ainda hoje, o Brasil do século XX.