Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil

Enviada em 07/01/2021

Parafraseando a primeira lei newtoniana, um corpo não terá seu movimento alterado a menos que forças externas suficientes ajam sobre ele, sobressaindo sua inércia. Esse é o hodierno cenário dos desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil: uma inércia que perdura em detrimento da indiferença da população, além de prenoções enraizadas. Sendo assim, convém analisar os principais pilares dessa chaga social.

Vale ressaltar, a princípio, que preocupações associadas a invisibilidade sentida pelo os deficientes não apenas existem, como vêm crescendo diariamente. Ademais, de acordo com o escritor Eduardo Galeano, para modificar a realidade, a primeira condição é conhecê-la; entretanto, parcelas consideráveis da sociedade encaram a deficiência como sinônimo de incapacidade (física e intelectual) de realizar qualquer tipo de tarefa, desligando-se do interesse de conhecer a realidade vivida por tais indivíduos, o que corrobora na exclusão progressiva dessa população e, consequentemente, na escassez de oportunidades, como vagas de emprego. Isto posto, embora esteja previsto na Constituição Federal de 1988 o princípio da inclusão, este direito não é evidenciado na prática, acarretando na formação de um dilema social com dimensões cada vez maiores.

Sob outro prisma, faz mister, ainda, salientar o preconceito sofrido  como acentuação da problemática. Outrossim, Brás Cubas, o defunto-autor de Machado de Assis, alegou em suas “Memórias Póstumas” que não teve filhos e não transmitiu para criatura sequer o legado de nossa miséria. Possivelmente, hoje, esse perceberia quão certeira foi sua decisão: o hodierno panorama da discriminação para com os deficientes é uma das faces mais lamentáveis do âmbito nacional. Por conseguinte, a falta de empatia e o individualismo são umas das principais causas de tais atitudes exdrúlas que provocam a segregação social de minorias que lutam pelo direito constituicional que, para grande parte do país, pode parecer corriqueiro: a isonomia.

Destarte, forças externas devem tornar efetivas vencendo a inércia proposta por Newton. Dessa forma, o Governo Federal e o Ministério da Saúde, em parceria com a mídia, deve investir em propagandas e campanhas televisivas para discorrer sobre as variadas deficiências físicas existentes no Brasil, assim como suas limitações, por intermédio de debates com profissionais da saúde - como médicos e enfermeiros -, a fim de desmitificar paradigmas errôneos e promover o usufruto da inclusão e a isonomia, prevista na Constituição. Somente assim, construir-se-á um corpo social livre de intolerância, pois como referido por Karl Marx: “as inquietudes são a locomotiva da nação”.