Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil

Enviada em 06/01/2021

No filme brasileiro ‘‘Hoje eu quero voltar sozinho’’, conta-se a história de Leonardo, um garoto cego, de modo que fica evidente na narrativa o preconceito popular para com o protagonista. Dessa maneira, na sociedade contemporânea brasileira, é exponencial o número de casos - assim como os de Leonardo - de pessoas vítimas do capacitismo. Com efeito, esse cenário nefasto é fruto tanto de um preconceito histórico quanto da ineficácia governamental.

De início, é fulcral destacar que historicamente os portadores de alguma deficiência física ou mental eram vistos com maus olhos pela sociedade, por exemplo em Atenas, na Grécia Antiga, e na Alemanha Nazista de 1940 era comum deficientes serem assassinados e abandonados. É inegável a existência de um preconceito popular para com os portadores de necessidades especiais, principalmente no Brasil contemporâneo, ou seja, o capacitismo. Nesse viés, de acordo com a Teoria Habitus, de Pierre Bourdie, a sociedade tende a incorporar padrões do passado e os reproduzir em suas ações. Comprova-se, assim, que o capacitismo é fruto de um preconceito milenar que continua a influenciar as ações da sociedade hordiena.

Além disso, é mister salientar que o Governo Federal não possui projetos governamentais que visem integrar deficientes físicos na sociedade, pelo contrário, em 2020 foi aprovado um decreto que visa criar escolas especiais, separando tais pessoas da sociedade. Dessa forma, com a falta de interação entre tal minoria com a sociedade, as barreiras do preconceito não conseguem ser superadas, e a população continua presa ao preconceito histórico causador do capacitismo. Com isso, percebe-se que a ineficácia governamental atua como catalisador do capacitismo ao estimular a segregação.

Portanto, é fundamental ressaltar que o preconceito histórico aliado a uma falha governamental corrobora para o capacitismo no Brasil. Por isso, é imprescindível que o Governo Federal, crie um projeto educacional que vise integrar portadores de necessidades especiais nas escolas brasileiras, por meio do maior repasse de verbas, de modo que as escolas tenham condições de estarem preparadas para o recebimento desses estudantes, para assim unir tal minoria a sociedade e mostrar a população que tais pessoas não devem jamais serem vistas com maus olhos ou sofrerem qualquer tipo de preconceito, como os que Leonardo era vítima.