Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 08/01/2021
No filme Norte Americano “Um dia de cada vez”, o protagonista, em sua infância, sofreu um acidente que o deixou tetraplégico, desde então, sua maior luta é viver em uma sociedade descriminadora. Fora da ficção, infelizmente, esse é um cenário que reflete a vida de muitas pessoas que sofrem algum tipo de deficiência física ou mental. Nesse sentido, essa realidade está cada dia mais difícil de se combater, tendo como causas a dificuldade do acesso ao meio físico, como também a criação de barreiras socioemocionais, sendo tratatadas como pessoas incapazes.
Precipualmente, é fulcral pontuar que a falta de acesso físico ao deficiente deriva da baixa atuação dos setores governamentais no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Segundo as ideias do filósofo contratualista John Locke, essa conjuntura configura-se como uma violação do “contrato social”, já que o Estado não cumpre sua função de garantir os direitos indispensáveis, como acessibilidade, assim como rege na Magna Carta. Devido a escassez de acesso em estabelecimentos públicos e privados, por conta da falta de investimentos em infraestrutura torna-se mais difícil a inclusão do deficiente na sociedade, como consequência, a ascensão do capacitismo.
Ademais, é fundamental ressaltar a falta de empatia entre as pessoas como impulsionadora do problema, negando a cidadania ao enfatizar a doença e não o ser humano. De acordo com os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2010, 24% da população brasileira possui algum tipo de deficiência. Partindo desse pressuposto, são muitos, os que sofrem descriminações de pessoas que não os veem como cidadões, sendo assim, os padronizam como incapazes e disfuncionais. Além disso, existe outras práticas que são consideradas capacitistas, como quando são considerados “coitadinhos” por serem diferentes dos estereótipos, sendo pena diferente de empatia.
Despreende-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso, é imprescindível que o Tribunal de Contas da União direcione capital que, por intermédio do Ministério de Direitos Humanos (MDH), será revertido em verbas para a contrução de infraestrutas necessárias, em locais públicos e privados, a fim de dar acessibilidade ao deficiente. Como já dito pelo pedagogo Paulo Freire, a educação transforma as pessoas, e essas mudam o mundo. Logo, o Ministério da Educação (MEC), deve instituir, nas escolas, palestras ministradas por psicólogos, que discutam o combate ao capacitismo e seus afetos sociais, a fim de que o tecido social se despreenda de certas tabus, para que não viva a realidade das sombras, assim como na alegoria da caverna de Platão.