Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 07/01/2021
Segundo a historiadora brasileira Marilena Chauí, os animais são seres naturais, os humanos, culturais. Diante dessa perspectiva, a afirmação dela corrobora a ideia de que as pessoas são reflexos inegáveis de seu ambiente e que a cultura direciona as escolhas e a conduta de cada um. Dessa forma, essa análise pode ser facilmente aplicada à questão do capacitismo no Brasil, já que é a normatização dessa noção errônea que faz com que a sociedade conviva passivamente com essa situação degradante. Nesse sentido, essa banalização gera desafios no combate desses atos de discriminação, tanto devido ao pensamento coletivo problemático, quanto graças a irresponsabilidade do Estado.
Antes de tudo, as concepções sociais atuam como complexos dificultadores no confronto desses atos de intolerância. Assim, Émile Durkheim defende que o fato social é a maneira coletiva de pensar. Nesse contexto, o indivíduo é moldado conforme o ambiente em que vive, ou seja, se o meio se afastar de determinado grupo, é provável que o cidadão também se isole dessa classe. Destarte, os deficientes são tratados como diferentes pela população, não apenas de forma pejorativa como incapazes, mas também são tidos como “especiais”. Desse modo, esse pensamento de segregação faz com que as pessoas se distanciem dessa comunidade e impede a supressão desses atos hostis.
Ademais, o Estado influencia fortemente na permanência dessas atitudes discriminatórias. Sob esse viés, de acordo com dados do Censo Escolar 2016, pouco mais de um quarto das unidades da rede pública do país tem estruturas acessíveis. Dessa maneira, o governo brasileiro estimula o capacitismo indiretamente, pois o país não tem acessibilidade plena nos espaços públicos. Com efeito, graças a essa falta de atuação, os deficientes não acessam esses locais. Além disso, essas ações insuficientes dificultam o confronto dessas ocorrências, visto que se nem as entidades governamentais dão atenção e assistência suficientes para esses seres humanos, a população também não dará.
Portanto, é necessário romper com esse fato social e criar medidas de inclusão para com esses indivíduos. Assim sendo, o Ministério da Cidadania, com o apoio de movimentos sociais, deve, por meio de verbas públicas, criar um plano de ações de igualdade para com os deficientes. Dessarte, esse planejamento seria desenvolvido considerando sugestões de entidades com pessoas que representam esse grupo e atuaria em duas vertentes: no desenvolvimento de infraestrutura que promova acessibilidade em todos os espaços públicos e na realização de palestras gratuitas semanais em todo país. A esse respeito, os palestrantes abordariam o capacitismo, como identificá-lo e como evitá-lo, como também estimulariam o combate dessas condutas pelo diálogo com aqueles que tenham atitudes hostis. Em suma, a partir dessas atuações, esse problema começaria ser contestado na nação.