Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 08/01/2021
“O homem é aquilo que a educação faz dele”. Segundo o filósofo Imanuel Kant, a educação é responsável por moldar o homem, tornando-o quem é. Outrossim, para Kant, valores como a moralidade são responsáveis por construir uma sociedade mais respeitosa com a coletividade. No entanto, no Brasil, é notável um desvirtuamento da população ocasionado, muitas vezes, pela inexistência desse processo de transformação. O tratamento inadequado dado aos deficiêntes, como exemplo dessa inércia, escancara as relações superficiais que caracterizam o século XXI e expõe a natureza caída do ser humano.
Precipuamente, é fulcral inferir que a conjuntura da cultura ocidental, caracterizada pelo individualismo, torna previsível a existência de dificuldades ao tentar-se normalizar a convivência com portadores de deficiências. Segundo o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, a falta de solidez nas relações sociais, políticas e econômicas é caracteristica da modernidade líquida vivida no século XXI. Portanto, essa superficialidade nas relações culmina numa cegueira da sociedade como um todo, e corrobora, assim, com o capacitismo.
Ademais, é imperativo pontuar o protagonismo do cidadão, como indivíduo, na construção de uma sociedade brasileira discriminatória. Sem pretensões de modificar sua relação capacitista de caridade com os deficientes, o brasileiro não tem dado sinais de que pretende assumir um posicionamento solitário e de empatia, que, como pensou o jornalista uruguaio Eduardo Galeano, envolve respeito e aprendizado mútuo entre os envolvidos. Por conseguinte, legitimada por sua própria natureza mesquinha, a sociedade brasileira segue fantasiando que não existe uma classe descontente com a forma que vem sendo tratada.
Assim, medidas exequíveis são necessárias para reverter esse quadro desfavorável. É mister que o cidadão, como agente modificador de sua realidade, mude sua postura em relação aos deficiêntes físicos e cognitivos através da busca pelo conhecimento mínimo acerca do tema. Consultar a população deficiente a respeito de como eles gostariam de ser tratados e intentar seguir esse direcionamento é fundamental para uma metamorfose nesse panorâma. Dessa forma, pode-se tornar real a ideia de uma sociedade transformada pela educação, como pensou Kant.