Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil

Enviada em 09/01/2021

A serie de televisão “Atypical” mostra os desafios enfrentados por um adolescente chamado Sam que é diagnosticado com um transtorno neurológico dentro do espectro autista. Nesse sentido, são retratadas as inúmeras barreiras que o jovem tem de enfrentar para ser aceito e respeitado no ambiente escolar. Fora da ficção, muitos brasileiros que possuem algum tipo de deficiência sofrem  com o preconceito e a exclusão. Nesse contexto, a ausência de uma educação inclusiva e a falta de acessibilidade nos espaços públicos são os principais obstáculos a serem enfrentados no combate ao capacitismo no Brasil.

Em primeiro plano, segundo o educador Paulo Freire " A educação sozinha não transforma o mundo, sem ela tampouco a sociedade muda". Em outras palavras, a educação é uma ferramenta essencial para as mudanças sociais, mais ainda no que diz respeito à desintegração de preconceitos. Por isso, a falta de um ensino inclusivo nas escolas impede que as crianças aprendam a conviver com as diferenças desde cedo, e tendo o contato com a diversidade física, motora e intelectual limitado, têm maiores chances de se tornarem adultos capacitistas.

Ademais, observamos que a modernização dos centros urbanos - intensificada nas últimas décadas devido aos avanços nas tecnologias da informação que possibilitaram a quebra das barreiras geográficas entre as pessoas - não foi acompanhada pela melhoria da acessibilidade para os portadores de deficiência física. Em virtude disso, o alcance das inovações não chega até essa minoria social que depende de uma infraestrutura adaptada e o direito de frequentar espaços públicos é cerceado. Dessa forma, a falta de planejamento consciente das cidades implica no segregacionismo dessa parcela da população.

Portanto, é fundamental que se crie uma consciência coletiva os prejuízos que a falta de ações inclusivas pode trazer. Logo, faz-se necessário a criação de um ambiente escolar mais diverso e que coloque em pauta as discussões sobre o capacitismo. Além disso, urge que sejam feitas melhorias na mobilidade urbana por meio da criação, pelo Poder Legislativo, de uma lei de acessibilidade que torne obrigatória a ampliação, em até cinco anos, de, pelo menos, 50% do número de rampas de acesso e assentos especiais em locais públicos nas cidades. Tudo isso a fim de melhorar a qualidade de vida dessas pessoas, criar novas oportunidades, reduzir os preconceitos e formar pontes para a integração social.