Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 09/01/2021
O filme “Extraordinário” retrata a história do protagonista Auggie, que nasceu com uma deformidade facial, e precisa lidar com os desafios de frequentar a escola pela primeira vez. Não distante da ficção, as pessoas com deficiência encontram dificuldades em se integrarem efetivamente na sociedade. Isso ocorre devido à existência do capacitismo - forma de discriminar pessoas com uma condição específica - motivado pelo predomínio de um padrão de funcionalidade corporal e pela falta de políticas públicas de inclusão.
Diante desse cenário, é necessário analisar a teoria de Angela Davis, filósofa estadunidense, na qual indica que a opressão é multifatorial, uma vez que atua em vários campos de opressão. Mediante o ideário, depreende-se que a crença no padrão de corpo perfeito colaborou para propagar a ideia da corponormatividade, a qual considera “normal” aquilo que se encontra no padrão, socialmente construído, enquanto outras variantes são “anormais” e inferiores. Dessa forma, esse fato fez com que surgisse no imaginário da população, a crença de que pessoas com deficiência (PcD) são incapazes e indefesas e, com isso, não possuem capacidade de ter uma vida saudável. Assim, essa parcela de brasileiros permanece excluída e segregada do meio social, vítima de atitudes preconceituosas.
Vale a pena ressaltar, também, a Constituição Federal de 1988, a qual indica que todo cidadão tem direito a uma vida plena e é dever do Estado promover o completo bem estar físico da população. À vista disso, é notório que a ineficiência governamental, no que tange às políticas públicas de inclusão e acessibilidade, contribuiu para reforçar a ideia de que pessoas com deficiência não devem ocupar todos os lugares. Aliado a essa conjuntura, as raízes históricas de preconceito social sofrido por esses indivíduos, desde o início das civilizações, fizeram com que a ausência de PcD em locais públicos e ambientes de trabalho se tornasse banal, fator capaz de silenciar cada vez mais o problema, bem como as vítimas. Dessa maneira, tais aspectos, associados, fortalecem os estereótipos sociais, caracterizados por subestimar a capacidade dessas pessoas.
Portanto, tendo em vista a necessidade de superar o capacitismo na sociedade brasileira, o Governo Federal, em uma ação conjunta com mídia, deve promover a criação de campanhas a serem veiculadas nos meios de comunicação, por meio de relatos de pessoas com deficiência sobre as atitudes discriminatórias que são vítimas, concomitante a atitudes práticas que podem ser tomadas pela população, com a finalidade de contribuir com o fim dessa forma de preconceito social. Dessa maneira, espera-se fornecer qualidade de vida e promover a inclusão da diversidade na sociedade.