Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil

Enviada em 08/01/2021

No filme “O primeiro da classe”, a trama se desenvolve com os atos discriminatórios que o protagonista, Brad Cohen, sofre em decorrência da Síndrome de Tourette. No entanto, esse preconceito não é restrito às telas, a medida em que se constata fortemente no cotidiano da sociedade brasileira. Sendo assim, é notório que o capacitismo possui raízes fortes na cultura do país, devido não só ao sentimento de superioridade da maioria, mas também à imposição de uma “normalidade” comportamental.

Em primeiro lugar, é importante destacar que o preconceito praticado com os deficientes existe a nível cultural. Segundo Montaigne em seu livro “Os canibais”, há um sentimento de superioridade dos “civilizados” para com os “canibais”, ao passo em que o padrão estético e comportamental trazido da Europa é visto como o ideal socialmente. Paralelamente, a visão capacitista e segregadora parte de um viés eurocêntrico, vindouro de épocas históricamente sombrias, mas que persistem até os dias atuais.

Consequentemente, os problemas de confiança e autoestima entre os PCD’s (Portadores de deficiências) alcançam níveis cada vez mais preocupantes. Segundo o psicanalista Erich Fromm, a “patologia da normalidade” marca negativamente a população ocidental, ocasionando mortes e vícios incontroláveis. Sendo assim, as perspectivas padronizadas que a sociedade impõe a essa minoria não passam de uma “insanidade” cultural que deve ser questionada.

Portanto, é necessário que o Estado tome medidas eficazes frente à essa problemática. Para que o capacitismo não seja tolerado em espaços públicos e privados, urge que, o governo federal, orgão responsável pela preservação dos direitos humanos, crie, por meio de palestras e leis, feitas com e para PCD’s, veículos de conscientização acerca da temática. Somente assim, será possível ressignificar o padrão de “normalidade” vigente na sociedade, além de garantir a liberdade e os direitos sociais de todos.