Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 09/01/2021
No livro “Brasil: Uma biografia”, as autoras Lilia Schwarcz e Heloisa Murguel relatam que, no período imperial, o Brasil apresentou característica polar - resultante de seus inúmeros avanços e atrasos - que retardou a evolução da nação. Entretanto, ao contrário do que se espera, a persistência de tal polaridade é notória ainda no cenário contemporâneo, uma vez que diversos fatores cooperam para a manutenção dos atrasos, sendo os desafios para o combate ao capacitismo um deles. Nesse sentido, diante de uma sociedade onde os atrasos retardam os avanços mesclando conflitos nas esferas sociais e culturais, analisar os fundamentos de dada problemática é medida que se faz imediata. Precipuamente, é fulcral que o capacitismo - discriminação contra pessoas com deficiência -, assim como qualquer preconceito, tem raízes socioculturais e educacionais que só podem ser superadas através da educação e inclusão. Segundo o educador brasileiro Paulo Freire, a educação sozinha é incapaz de transformar o mundo, entretanto, é capaz de transformar os homens, que por sua vez, são capazes de transformar o mundo. Diante do exposto, é racional acreditar que a ausência de mentes transformadas e transformadoras na sociedade é, indubitavelmente, um dos fatores que cooperam para os desafios no combate ao capacitismo no Brasil. Sob essa perspectiva, vale ressaltar ainda a baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne a disponibilidade de recursos e mecanismos de inclusão, como promotor do problema. De acordo com dados do Ministério do Trabalho e Emprego, apesar da disponibilização de diversas vagas por meio das ações afirmativas para PCD nas empresas, apenas metade é preenchida. Consoante ao citado, é evidente que a falta de recursos faz com que as oportunidades sejam inválidas e a inclusão dificultada, retardando a resolução do empecilho. Dessarte, com o intuito de atenuar os desafios para o combate ao capacitismo no Brasil, medidas exequíveis são necessárias. Urge, portanto, que o Ministério da Educação invista na estrutura física das escolas e universidades públicas. Além disso, faz-se mister investir também na capacitação de docentes e discentes, por meio de cursos e palestras ministradas por profissionais qualificados – principalmente sendo eles PCD -, onde os alunos e professores possam aprender, ouvir e compartilhar experiências e os alunos com deficiência possam assumir seu lugar de fala. Isso tudo a fim de tornar o ambiente escolar menos hostil e inserir no cotidiano do indivíduo em formação a inclusão com naturalidade desde a terna idade. Espera-se assim, em médio e longo prazo, atenuar os impactos dos desafios para o combate do capacitismo no Brasil, caminhando para uma sociedade repleta de avanços e distante de atrasos.