Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 09/01/2021
Luiz Bolognesi apresenta em seu filme “Uma História de Amor e Fúria” um panorama acerca do futuro distópico do contexto social brasileiro, marcado pela opressão social, altos níveis de violência e retrocesso dos direitos Humanos. Fora da ficção, infere-se que o atual cenário nacional converge com o apresentado pela obra, uma vez que o capacitismo é uma dinâmica coletiva marcante nas relações sociais e representa um entrave para o desenvolvimento social. Dessa forma, cabe analisar a displicência estatal e a ignorância social como raizes dessa problemática. Evidencia-se, portanto, que ações são vitais pra a resolução dessa óbice.
Sob essa perspectiva, é válido pontuar que as ações governamentais no que tangenciam a minimização do problema são obsoletas. Em sua obra “O Homem Cordial”, Sérgio Buarque de Holanda critica a ausência de planejamento estratégico, a efetividade e o amadorismo das políticas públicas brasileiras. Diante disso, compreende-se que a concepção do teórico está intrinsicamente ligada à questão capacitismo, dado que a falta de intervenções que viabilizam a mitigação do preconceito contra as pessoas com deficiência potencializa a sua manutenção nos ambientes sociais. À vista disso, é vital observar que a reformulação da postura governamental é fundamental para a resolução do impasse. Além disso, é imperativo ressaltar que o capacitismo surge, indubitavelmente, em função da “cegueira branca”. José Saramago faz uso do termo anteriormente citado com a intenção de ratificar que as mazelas sociais presentes na sociedade brasileira são originadas da ignorância, apatia e das desarticulações das relações humanas. Desprende-se, desse modo, que a origem da prática preconceituosa contra pessoas portadoras de habilidades especiais emerge em função do desconhecimento do indivíduo alheio às vivências dessas pessoas. Originando, nesse sentido, uma projeção coletiva agressiva, violenta e excludente contra as pessoas com algum tipo de deficiência. Diante dos fatos supracitados, medidas são imprescindíveis para a extinção do capacitismo nos convívios sociais. Por conseguinte, cabe ao Poder Legislativo, na figura da Frente Parlamentar dos Direitos Humanos em conjunto à Frente Parlamentar da Educação ( associações suprapartidárias ), pressionarem o próprio Poder Legislativo por meio de protestos e petições sociais a fim de viabilizar a construção de projetos educacionais que visam a conscientização da população sobre as pessoas com deficiências e a criação de ferramentas que impulsionem um mais respeitoso convívio social. Apenas dessa maneira, a democracia brasileira irá se afastar da distopia imagina pelo direito de cinema.