Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil

Enviada em 27/05/2021

Na trama da série televisiva, “Game of Thrones”, Tyrion Lanister, um nobre de capacidade intelectual e habilidade política excepcionais, é frequentemente subestimado e ridicularizado pelo seu reino e sua própria família simplesmente por ser anão. Paralelamente, na realidade, o capacitismo - preconceito e discriminação contra pessoas com deficiência - é um grave e comum problema no Brasil. Esse tem como principais causas a criação de padrões e ideais para o corpo humano e a rejeição por parte de muitos quando se subverte tais expectativas, gerando efeitos negativos na vida das vítimas. Sendo assim, deve-se ampliar a discussão sobre os desafios dessa questão, a fim de superá-los.

Em primeiro plano, cabe analisar as origens do capacitismo na sociedade. A esse respeito, o filósofo Francis Bacon, em sua “Teoria dos ídolos”, explica que preconceitos e noções enganosas perpassam por todo homem - seja por sua natureza, sua tradição, ou seu meio - e o impede de enxergar a realidade como ela é. Na prática, esse conceito pode ser observado quando associa-se uma característica isolada, como, por exemplo, não enxergar, não falar ou não andar a um todo incapaz. Tal tendência, apesar de equivocada, é muito comum na sociedade, fazendo com que aqueles que não se encaixam em um padrão corporal e neurológico pré-definido sejam vistos como “defeituosos”. Assim, nota-se que o desafio principal está no enfrentamento diário desse julgamento e tratamento ofensivo.

Ademais, é válido destacar as consequências dessa mazela. Um exemplo relacionado a esse comportamento, quando levado ao extremo, foi a perseguição de nazistas, na década de 1940, àqueles que ameaçassem a “pureza” da raça ariana, resultando em muitos deficientes enviados a campos de concentração. Na vida cotidiana atual, o capacitismo ainda afeta a vida de quem lida com humilhação, desrespeito e falta de acessibilidade diariamente, podendo ter sua saúde física e mental e vida profissional comprometidas. Além disso, embora o Estatuto da Pessoa com Deficiência estabeleça o direito à igualdade de oportunidades e a não discriminação, a expressão capacitismo ainda não é registrada na legislação brasileira, dificultando seu combate e mostrando a negligência do Estado.

Logo, é essencial uma ação mais contundente do Poder Público sobre a questão do capacitismo no Brasil. Para tanto, o Ministério da Educação deve investir em programas que ampliem a informação sobre o assunto, objetivando esclarecer dúvidas e mitos, por meio de aulas e relatos dessas pessoas sobre suas histórias, habilidades e dificuldades. Tal medida, aliada à implementação de uma lei específica sobre capacitismo, contribuirá para a desconstrução do preconceito, e toda a sociedade ganhará ao conseguir enxergar nessas pessoas não só suas deficiências, mas também qualidades extraordinárias como as do personagem da série.