Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 09/01/2021
Os espartanos, cidadãos gregos da Antiguidade, ficaram conhecidos pela brutalidade com que matavam os nascituros portadores de características diferentes daquelas impostas por eles. Atualmente, percebe-se a persistência de um comportamento hostil com pessoas que fogem dos padrões estéticos e comportamentais, especialmente as que possuem deficiências, no Brasil. Além disso, a falta de ações públicas que promovam a inserção desse grupo social e a ausência de disciplinas que abordem o tema nas escolas são obstáculos a serem ultrapassados.
Em primeira instância, destaca-se que os escassos projetos de órgãos públicos para a inclusão de indivíduos com deficiência ainda representam um problema. Nesse sentido, as pessoas que possuem algum tipo de necessidade especial não são diferentes dos demais cidadãos, mas precisam de estruturas que possibilitem a interação com o meio e com a sociedade. De acordo com o portal Agência Brasil, a cidade de São Paulo, megalópole brasileira mais populosa que já deveria ter mecanismos de acessibilidade, não supre as necessidades de locomoção e de interação dos deficientes. Esse fato, que está presente em diversos outros municípios da Federação, contribui para a exclusão dessas pessoas, uma vez que impede a realização de atividades do cotidiano e reforça o isolamento dessa minoria social.
Ademais, é importante salientar que a ausência da discussão sobre o tema da deficiência nas escolas constitui um grave dilema. A Base Nacional Comum Curricular , matriz de referência pedagógica para as instituições de ensino, prevê o debate sobre a importância do acolhimento e das necessidades dos indivíduos que possuem necessidades especiais. Entretanto, essa não é a realidade da maioria dos colégios brasileiros. Segundo o filósofo Jürgen Habermas, o diálogo aberto e participativo é o caminho seguro para a construção de uma sociedade melhor. Todavia, é perceptível que o Brasil caminha em direção oposta a do estudioso, já que não promove a discussão dessa temática tão importante.
Portanto, é evidente a necessidade de solucionar esse problema. Nesse sentido, o Ministério da Infraestrutura- órgão do poder executivo responsável pela construção civil- deve promover a acessibilidade e a livre circulação em espaços públicos, por meio da construção de estruturas que atendam às necessidades específicas de cada deficiência e com o fito de minimizar o preconceito e a discriminação direcionadas a essa parcela da população. Também é importante que o Ministério da Educação oriente as escolas sobre a necessidade de incluir a temática do capacitismo na grade curricular. Assim, certamente, o povo brasileiro terá melhorias sociais e se distanciará dos resquícios da mentalidade espartana.