Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 09/01/2021
A Constituição Federal de 1988, documento mais importante do país, prevê em seu artigo 6º o direito ao bem-estar social como inerente a todo cidadão brasileiro. Conquanto, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na realidade, fazendo-se por observar a necessidade de gerar debates a respeito dos desafios encontrados no combate ao capacitismo no Brasil, dificultando, deste modo, a universalização desse direito social tão importante. Diante dessa perspectiva, faz-se imperiosa a análise mais aprofundada a respeito dessa prática que viola os direitos do brasileiro.
Em uma primeira ótica, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais a respeito do combate ao capacitismo sofrido pelo brasileiro, torando essa, uma das principais questões a serem abordadas. Nesse sentido, essa conjuntura, segundo o contratualista John Locke, configura-se como uma violação do “contrato social”, já que o Estado não cumpre a sua função de garantir que todos os cidadãos desfrutem do bem estar social visto que parte da população ainda sofre com o capacitismo. Assim, infere-se que tal realidade será situação constante enquanto o Estado não tomar providências que combatam a discriminação por parte das pessoas com deficiência.
Ademais, é fundamental perceber que a sociedade contemporânea ainda carece de entendimento quanto a situações das pessoas com deficiência. Visto que pessoas deficientes, seja física ou psicológica, não são nem inferiores nem superiores as demais, apenas apresentam características diferentes. Logo, cabe salientar o pensamento do professor brasileiro Augusto Cury, que afirma: “o sonho da igualdade só cresce no terreno do respeito pelas diferenças”. Essa frase apenas corrobora com o princípio de que não há igualdade onde o capacitismo se faz presente, realidade infeliz do povo brasileiro.
Depreende-se, portanto, que o combate ao capacitismo é uma questão que necessita de debate e deve ser urgentemente realizado. Para isso, as grandes mídias, por meio de programas e novelas, devem abordar de forma crítica o capacitismo que está presente na sociedade. Assim, para que tal ação possa se mostrar efetiva, deve-se mostrar nos conteúdos exibidos, não apenas atos de discriminação que acontecem no dia a dia, como também a ausência de medidas governamentais que não só não combatem, como contribuem para tal discriminação, ao não apresentar em órgãos públicos as adaptações de acessibilidades necessárias. Dessa forma, a população que terá acesso a tais conteúdos, poderá enfim aprender a lidar com as diferenças combatendo então os atos de capacitismo ainda encontrados, contribuindo assim para a universalização do bem-estar social.