Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 09/01/2021
Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social caracteriza-se pela ausência de conflitos e problemas. Todavia, o que se observa na realidade é o oposto do que é pregado por More, uma vez que os desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil não são devidamente combatidos e, por muitas vezes, são subjugados pelo poder público. Portanto, é imprescindível a análise das principais intempéries para a superação desse tipo de preconceito, dentre as quais destacam-se a naturalização dessa problemática pelo corpo social e a ausência de campanhas publicitárias conscientizadoras.
Em primeira instância, é fulcral pontuar a normalização do capacitismo como um dos principais obstáculos para o combate dessa problemática. Em conformidade com Hannah Arendt, em “A banalidade do mal”, o pior mal é aquele visto como algo cotidiano, corriqueiro. À vista disso, devido à constante presença desse preconceito desde os primórdios da civilização brasileira, criou-se uma errônea consciência coletiva de que a questâo do capacitismo é algo inerente à realidade e que não deve ser confrontado. Assim, cabe ao Ministério da Educação a desconstrução dessa mentalidade.
Em segunda instância, vale salientar a falta de anúncios e propagandas que visem a compreensão social sobre os perigos dessa prática. Segundo Paulo Autran, “Todo preconceito é fruto da burrice, da ignorância, e qualquer atividade contra preconceitos é válida”. Diante do supracitado, percebe-se que essa importante ferramenta, capaz de minimizar a ignorância sobre tais deficiências, é subjulgada e insuficientemente aproveitada para resolver esse quadro nefasto. Dessa maneira, faz-se necessária a ampliação dessas campanhas.
Por fim, é indubitável que os desafios para o combate ao capacitismo precisam ser superados e reduzidos. Urge, então, que o Ministério da Educação, em parceria com as redes de ensino públicas e privadas, acabe com esse pensamento coletivo, por meio de palestras e atividades interativas, com o intuito de fazer com que esses hábitos maldosos venham a ser considerados abomináveis e, não mais, aceitáveis. Ademais, é dever da mídia a disseminação, nos canais de televisão abertos e fechados, publicidades que promovam a elucidação dos indivíduos sobre as consequências do capacitismo para pessoas com deficiências. Somente assim, será possível a aproximação com a sociedade retratada por More.