Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 10/01/2021
Em um episódio da controversa série animada ‘‘South Park’’, o personagem Eric Cartman finge ter síndrome de Down para poder participar das paraolimpíadas, insinuando ao longo do capítulo que, por serem deficientes, ele teria uma vantagem sobre seus competidores, e assim ganharia a medalha de ouro. Nesse sentido, observa-se, na civilização brasileira hodierna, uma atitude altamente capacitista, tal realidade se dá, seja pela postura retrógrada da sociedade que acaba por, direta ou indiretamente, discriminar estas minorias, seja pela grande inoperância estatal presente no país. Logo, faz-se imperiosa a análise dessa conjuntura, com o intuito de mitigar os entraves apresentados.
Em primeira análise, pode-se citar a postura antiquada da comunidade brasileira como uma das principais causas da persistência do capacitismo na sociedade. Deste modo, a Constituição Federal de 1988 garante o princípio da isonomia, que afirma que todos os indíviduos devem ter tratamentos iguais, considerando suas diferentes condições. Nesse sentido, observa-se um claro ferimento desse princípio uma vez que, na sociedade brasileira contemporânea, pessoas portadoras de deficiencia são tratadas de maneira diferente, já que um indíviduo sem qualquer tipo de comorbidade é considerado ‘’normal’’ enquanto aqueles que as têm são considerados exceções e, portanto, são tratados como tal, tendo suas deficiências vistas como algo a ser corrigido ou superado. Sob essa ótica, observa-se que, devido ao pensamento atrasado do corpo social brasileiro, individuos sem qualquer tipo de deficiência são vistos como o padrão, o que contribui para a exclusão daqueles que as possuem.
Além disso, a grande negligência governamental e a falta de programas sociais que visem a inclusão destes grupos na sociedade se prova uma das causas da problemática. Dessa forma, o filósofo grego Aristóteles afirma que a política deve ser usada de modo que, por meio da justiça, se encontre o equilíbrio. Nesse sentido, observa-se uma clara contradição desta máxima no fato de que a falta de medidas governamentais para a inclusão desses grupos, bem como para o combate ao capacitismo, se prova quase nula, não favorecendo o progresso coletivo. Dessa forma, urge a disposição de meios que visem solucionar o problema citado.
É evidente, portanto, que medidas são necessárias para a solução do revés apresentado. Destarte, o governo federal deve, por meio de parcerias com empresas privadas de publicidade e propaganda, criar campanhas e propagandas comerciais que visem conscientizar a população acerca do grande capacitismo presente no país, para que assim, sendo instruidas, estas pessoas passem a entender que todos devem ser tratados igualmente, e o príncipio da isonomia seja observado na prática, além de serem observadas menos atitudes como a de Eric Cartman na série ‘‘South Park’’.