Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil

Enviada em 12/01/2021

No filme “ O Extraordinário”, o protagonista Auggie Pullman tem uma deformidade facial, conhecida como Treacher Collíns. Durante a narrativa, o autor aborda o preconceito e a dificuldade que o jovem enfrenta para ingressar na escola e expõe o capacitismo presente no convívio com seus professores e amigos. Para além do cenário cinematográfico, a atual realidade enfrentada pelos brasileiros não está muito distante daquela mostrada no longa-metragem, visto que o capacitismo se tornou uma verdade atual no Brasil. Nesse âmbito, analisa-se que essa problemática é sustentada, sobretudo, pela subestimação dos deficientes e pelos padrões de corpos em terras tupiniquins.

De início, destaca-se que não há como promover igualdade em uma sociedade preconceituosa. Durante a Idade Média, crianças recém-nascidas frágeis ou com alguma deficiência eram jogadas do alto do monte Taigeto a mais de 2.400 metros de altura por serem julgadas como incapazes. Entretanto, tais influências não trouxeram benefícios para o desenvolvimento do país, uma vez que o deficiente  é considerado como inútil na atual contemporaneidade. Tal fato, pode ser exemplificado pela reportagem da revista Veja, onde de acordo com a LBI (Lei Brasileira de Inclusão) apenas 1% dos deficientes estão inseridos no mercado de trabalho. Logo, enquanto o capacitismo se mantiver, o Brasil será impossibilitado de ter uma cultura democrática e igualitária.

Além disso, nota-se que a deficiência ao longo da história, foi vista como algo que deveria ser excluído. Por influência do Romantismo, período artístico e literário do século XVIII, o culto aos corpos ideais definia pessoas típicas e segregava aqueles que não estivessem de acordo com as normas do período romântico. Isso porque, historicamente, os governos não as tratavm como prioridades o que as condenavam, muitas vezes, a continuarem à mercê do preconceito, como visto do filme de Auggie. Nesse viés, é preciso dizimar os resquícios eugenistas presente no cenário hodierno, ramificado na fala e ações da sociedade ao retratar e observar uma pessoa com deficiência.

Portanto, o capacitismo é um tipo de estigma em relação aos deficientes , fruto de uma sociedade ainda pouco preparada para a inclusão social. Assim, veículos midiáticos, através de uma parceria com o Governo Federal, deve promover campanhas que enfatizem a importância da inclusão e acessibilidade para com os deficientes, baseando em informações verídicas que alertem a população dos malefícios do preconceito capacitista. Detalhadamente, esse conteúdo deve ser publicado nas redes sociais e em propagandas na televisão, com o intuíto de estimular a sociedade no convívio com essa parcela humana e gerar, assim, equiparidade entre todos. Desse modo, exemplos como o do filme “O Extraordinário” serão menos frequentes e vistos no Brasil.