Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 10/01/2021
Na série brasileira da Netflix “3%”, o personagem Fernando é um PDC (Pessoa com Deficiência), e no decorrer da história ocorrem vários casos de capacitismo, como dúvidas se ele consegue completar as provas físicas, já que ele é cadeirante, até pessoas o chamando de “aleijado”. Assim como na série, é fácil perceber como o preconceito contra os PCDs é naturalizado. Por isso, é importante discutir a normalização do modo que essas pessoas são tratadas. Paralelo a isso, o personagem Fernando é in-terpretado por um ator que não é PCD, e por mais que a representatividade que o papel em si traz seja importante, o valor de mais atores PCDs também é. Logo, remediar essa problemática é imprescindível.
É inegável que as Pessoas com Deficiência conquistaram vários direitos, como a aposentadoria antecipada, ajustes em lugares públicos com rampas, assim como outros. Porém, os PCDs ainda sofrem uma grande quantidade de preconceito diariamente, e isso está visível no modo em que são tratados como incapacitados, perdendo empregos pelo simples fato de que seus corpos não são “convencionais”. O capacitismo também vem de outro jeito, que é quando os PCDs só são vistos como válidos quando são dignos de pena ou quando há uma história de superação. Esse tipo de pensamento é prejudicial para essas pessoas, pois fica somente em sua deficiência, esquecendo que elas são seres humanos primeiramente, e não somente uma história trágica. Destarte, é claro que as circunstâncias precisam urgentemente serem mudadas, pois como disse o filósofo chinês Confúcio: “não corrigir nossas falhas é o mesmo que cometer novos erros”.
Ademais, a falta de representatividade é um dos problemas enfrentados pelos PCDs. Como citado anteriormente, o ator que faz o personagem Fernando não é deficiente, e isso se caracteriza como “cripface”, que é quando alguem não deficiente atua em um papel de PCD na mídia. Essa problemática está cada vez mais sendo discutida pelos membros da comunidade, pois representatividade é importante para qualquer minoria e também para aqueles que não fazem parte dos grupos de minorias, pois assim eles se informam e entendem o lado da comunidade.
Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse. Para tanto, é função do governo disponibilizar palestras nas escolas, universidades e ambientes de trabalho, com palestrantes deficientes, através da renda pública para educação, visando espalhar informação e respeito à essas pessoas. Nesse viés, também é importate que a mídia contrate atores e atrizes com deficiência para interpretar mais papéis, assim como incluir mais personagens PCDs em suas histórias, através de filmes, séries e livros, com finalidade de fornecer representatividade para a comunidade. Com tais implementações, o problema poderá ser uma mazela passada na história brasileira.