Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 11/01/2021
Em seu livro “Feliz Ano Velho”, o autor Marcelo Rubens Paiva relata seu sofrimento com o julgamento alheio após o acidente que o deixou tetraplégico - era visto como incapaz de realizar qualquer atividade cotidiana. Nesse contexto, nota-se que a discriminação contra as Pessoas Com Deficiência (PCDs) ainda é muito presente no Brasil e enfrenta obstáculos para ser combatida. Isso se dá principalmente pela forte raiz histórica do capacitismo, que reforça a violência, resultando na falta de ações integrativas, inclusivas e respeitosas para com PCDs.
Em primeira análise, verifica-se que o capacitismo manifesta-se repetidamente em diversos relatos históricos mundiais. Na Grécia Antiga, os espartanos que continham algum tipo de deficiência eram brutalmente assassinados sob a justificativa errônea de que eles seriam “inúteis” para as lutas nas guerras. Nesse sentido, infere-se que o pensamento de que corpos diferentes do normal são inaptos a diversas atividades está historicamente enraizado em nossas ideologias, causando os diferentes tipos de violência capacitista.
Consequentemente, devido ao preconceito histórico, há a falta de ações e equipamentos que integrem e auxiliem os PCDs no cotidiano das cidades brasileiras. Segundo o teórico francês Pierre Bourdieu, a violência simbólica é um tipo de violência feita por meio da linguagem e dos símbolos, legitimando a crença dominante. Nesse sentido, a falta de vagas de carro para deficientes, rampas e adaptações que facilitem a sua integração ao meio constitui uma violência simbólica, já que legitima a crença dominante da inaptidão das pessoas com deficiência. Assim, verifica-se que esse tipo de preconceito histórico está sendo reforçado pela falta desses equipamentos.
É imprescindível, portanto, que os obstáculos para combater situações capacitistas como a de Marcelo sejam superados. Para isso, cabe ao governo federal o financiamento e estabelecimento de facilitações para PCDs que garantam sua acessibilidade, como espaços em estacionamentos e rampas nas calçadas, para garantir a inclusão nos espaços urbanos de todos os municípios. Com isso, o governo deve estabelecer uma colaboração com a mídia, que deverá produzir anúncios na televisão ou na internet que reiterem o devido respeito à esses direitos de acessibilidade, com a participação de famosos com deficiência e ativistas da causa para garantir o apelo ao público. Com essas medidas, garante-se os direitos sociais dos PCDs e crenças capacitistas permanecerão no passado.