Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil

Enviada em 11/01/2021

Nas civilizações da Antiguidade era comum a prática do assassinato de crianças com alguma deformidade física ou cognitiva. Com o avanço do pensamento crítico e humanizado, essas ações são inaceitáveis, entretanto, o preconceito e o capacitismo ainda estão arraigados na sociedade. Isso pode ser reconhecido não só pela exclusão destes do meio educacional, do mercado de trabalho e pela falta de acessibilidade, mas também pelo pensamento de aversão ao que é diferente do considerado normal. É indubitável a necessidade de mudança e de integração dos indivíduos deficientes.

Nesse sentido, a luta contra essa discriminação pode ser comparada ao Mito de Sísifo, em que ele rolava incessantemente uma rocha, montanha acima, sem nunca chegar ao seu objetivo. Da mesma forma, assemelha-se às pessoas portadoras de deficiência na busca da igualdade. Essas, muitas vezes, são perfeitamente aptas para atividades como ocupações laborais e até mesmo para o estudo integrado a outras crianças e adolescentes considerados normais, se devidamente adequado às capacidades do aluno e à preparação de professores e estrutura do ambiente escolar. Contudo, a dilligência por esse objetivo é frustrada sem os meios necessários para tal propósito.

Outrossim, todos os indivíduos são considerados iguais, sem distinções pela Constituição Brasileira, no artigo 5°. No entanto, apenas 5% das calçadas do país são acessíveis e a minoria das escolas tem a capacitação necessária para a alfabetização integrada de deficientes, segundo o IBGE. Dessa forma, a falta de infraestrutura adequada para o desenvolvimento das capacidades desses cidadãos dificulta a independência e a evolução dos mesmos e consuma na mentalidade capacitista, tornando “inúteis” pessoas satisfatoriamente hábeis para dar retorno econômico e social ao país.

Portanto, o Governo Federal deve promover medidas para a integração do cidadão deficiente, como a introdução obrigatória de Libras na grade curricular da formação de educadores, bem como a capacitação necessária para a alfabetização efetiva e inclusiva de portadores de deficiências. Além disso, a implantação de rampas e meios de acessibilidade em calçadas e ruas devem ser exigidas à todas as cidades brasileiras, a fim de promover mobilidade urbana aos interessados. Dessa forma, um passo será dado para a inserção dos deficientes na socidade, tanto físicos, como cognitivos ou audiovisuais, cumprindo a Lei e, por conseguinte, promovendo a igualdade e a justiça no país.